Lisboa será uma "Cidade do Zero" no fim de semana
Uma das maiores iniciativas de sustentabilidade do país, junta no Parque Eduardo VII, mais de 100 atividades ao longo dos dois dias.
Reparar bicicletas, aprender a fazer uma horta, trocar roupa ou assistir a debates sobre sustentabilidade são opções para o próximo fim de semana em Lisboa, numa “Cidade do Zero”, sem lixo nem emissões.
Naquela que é considerada uma das maiores iniciativas de sustentabilidade do país, a “Cidade do Zero” junta no Parque Eduardo VII, no centro da capital, mais de 100 atividades ao longo dos dois dias, com três zonas dedicadas a ‘workshops’ e oficinas, quatro espaços temáticos (crianças, alimentação, transformar e trocas) e mais de uma centena de marcas.
A cidade do Zero vai, na sua quarta edição, tem quatro palcos (principal, mobilidade, casa e desperdício) cada um com palestras e conversas relacionadas com sustentabilidade.
“O que fizemos este ano de novo é que todas as atividades, ‘workshops’ e conferências, não requerem inscrição, não estão limitadas e vamos ter lugares sentados para todos”, disse à agência Lusa João Barreiros, da organização.
Comparando com outras edições, a “Cidade do Zero”, ligada ao conceito de zero desperdício e zero emissões, também terá este ano, ao contrário de outras edições, os palcos no meio do recinto, junto das restantes iniciativas, e uma zona de restauração ampliada, segundo o responsável.
O conceito “cidade do zero” materializou-se em 2022, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, com 10 mil visitantes, e no ano seguinte passou para o Centro Cultural de Belém, duplicando o número de visitas. A anterior edição, em 2024, na Tapada da Ajuda, teve 25 mil pessoas, um número que João Barreiros gostaria de pelo menos igualar no próximo fim de semana.
João Barreiros destacou a facilidade de acesso, ainda que lamente as dificuldades para quem tem mobilidade condicionada. Contudo, disse estar satisfeito com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, que cedeu o espaço, e com a colaboração na área da mobilidade, integrada na Semana Europeia da Mobilidade, que decorre anualmente de 16 a 22 de setembro.
O organizador destacou ainda nas novidades uma quinta de permacultura, instalada no meio do Parque, com um pomar, ervas aromáticas, couves, galinhas e ovos. “Vamos mostrar às pessoas que é possível fazer dentro de uma cidade, em varandas, em espaços mínimos”, adiantou.
A “Cidade do Zero” levará ainda as pessoas a descobrir e experimentar soluções para viver de forma mais sustentável, juntando empresas e projetos, organizações e cidadãos.
Nos quatro palcos irá falar-se de temas como ecodesign, alterações climáticas ou transição energética, de mobilidade e transformação dos espaços urbanos, da forma de tornar as casas mais sustentáveis, ou da reutilização, reparação e valorização de recursos.
Um mercado de trocas (roupas, plantas ou livros), uma zona de reparações (como roupa ou pequenos aparelhos elétricos) ou uma biblioteca ambulante também estarão presentes.
Os visitantes vão poder aprender a fazer biscoitos para cães e gatos, a reparar um furo numa bicicleta, a perceber como reabilitar objetos de cerâmica partidos, ou a ver como se reduz o desperdício na cozinha e aprender a fazer kombucha e quefir de água em casa.
As pessoas podem levar para a “cidade” objetos e produtos para reutilizar, ou doar, podendo receber um “voucher” por isso. Podem ser tecidos, calçado, têxtil de lar, pequenos móveis, molduras e candeeiros, tendas ou sacos-cama, entre outros objetos que ou podem ser restaurados ou ganhar uma nova vida.
João Barreiros deu ainda outros exemplos do que se pode aprender na "cidade", como fazer velas ou transformar plástico em objetos, ou a andar de trotinete ou de bicicleta.
