Sérgio Godinho sobre Jorge Palma: o "cúmplice", "grande músico" e "ótimo escritor de canções"

Resumir uma relação com mais de 50 anos, “é sempre difícil”, mas Sérgio Godinho começa por contar que Jorge Palma era “um amigo de longa data, amigo íntimo, amigo de casa”.

O músico Sérgio Godinho recordou hoje o “cúmplice” e “amigo de longa data” Jorge Palma, que morreu na segunda-feira aos 76 anos, como um “grande músico” e um “ótimo escritor de canções”.

Sérgio Godinho e Jorge Palma têm cinco anos de diferença e uma história com pontos em comum. Ambos se exilaram, por oposição ao regime ditatorial, editaram os primeiros álbuns nos anos 1970 e marcaram a música portuguesa contemporânea, influenciando outras gerações de músicos.

Resumir uma relação com mais de 50 anos, “é sempre difícil”, mas Sérgio Godinho começa por contar que Jorge Palma era “um amigo de longa data, amigo íntimo, amigo de casa”.

“Ao mesmo tempo era um grande músico e um ótimo escritor de canções”, disse, em declarações à Lusa.

A primeira vez que gravaram juntos, lembrou Sérgio Godinho, foi no tema “Na terra dos sonhos”, do álbum “Qualquer coisa pá música”, de Jorge Palma, editado em 1979.

Quando se conheceram, quatro anos antes, tiveram “uma espécie de empatia logo imediata”.

“Conheço o trabalho dele desde um disco já muito antigo chamado ‘Té já’ [1975], onde está ‘O Bairro do Amor’, mas também outras canções importantes, e a partir daí fomos sempre acompanhando [o trabalho um do outro], até que isso culminou numa série de espetáculos que fizemos, chamados ‘Juntos’ [em 2015], em que tocámos o repertório um do outro e juntámos as nossas bandas, ou pelo menos alguns elementos de cada uma das bandas, e fizemos muitos espetáculos de uma grande pujança e cumplicidade”, partilhou.

Quando alguém como Jorge Palma “se vai é uma tristeza”.

“Tinha falado com ele há uma semana. É sempre uma tristeza, mas pronto, como diz a própria frase do Jorge, ‘a gente vai continuar’, não é?”, disse.

Além de um grande escritor de canções e um bom cantor, Jorge Palma era também “alguém muito disponível para os outros”.

Em tantos anos de amizade, “os episódios sucediam-se”, sendo por isso para Sérgio Godinho difícil nomear um, quando lhe é pedido.

“Nós éramos muito amigos, éramos cúmplices, e é esse o episódio total da nossa colaboração”, disse.

Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos, anunciou a família, pedindo que o autor seja lembrado “pelas suas canções e palavras”, agradecendo “toda a amizade demonstrada ao longo dos anos”.