Quase sete mil moratórias de crédito pós-Kristin suspendem 1063 milhões de euros

Particulares representam mais de 5600 destes casos, totalizando 411,3 milhões de euros.

Cerca de sete mil entidades beneficiaram das moratórias de crédito criadas na sequência da tempestade Kristin, que atingiu Portugal no início de 2026, totalizando empréstimos suspensos de 1063 milhões de euros, segundo o Banco de Portugal (BdP).

Dos 6856 casos abrangidos entre 28 de janeiro e 28 de abril, 1243 eram empresas, com créditos suspensos de 651,8 milhões de euros, e 5613 eram particulares, com 411,3 milhões de euros em moratória.

A medida, prevista no Decreto-Lei n.º 31-B/2026, de 05 de fevereiro, permitiu suspender por 90 dias o pagamento de capital e juros em empréstimos de famílias e empresas nos 90 concelhos declarados em situação de calamidade, maioritariamente nas regiões Centro e Vale do Tejo.

Entre os particulares, 95,1% do montante abrangido correspondia a crédito à habitação, com destaque para os municípios de Marinha Grande e Leiria, onde a moratória cobriu, respetivamente, 8,5% e 5,6% do total de crédito à habitação elegível.

Nas empresas, as indústrias transformadoras foram o setor com maior peso, com 262,9 milhões de euros de crédito abrangido, sendo que 92,8% do montante total correspondeu a Pequenas e Médias Empresas (PME).

No final de abril, o Governo aprovou o prolongamento por mais 12 meses das moratórias de crédito atribuídas a empresas, instituições sociais e famílias, conforme anunciou o primeiro-ministro, em Beja.

O prolongamento por 12 meses da moratória de créditos associada às tempestades do inverno abrange apenas empresas com quebras da faturação superiores a 20% no primeiro trimestre e empréstimos para habitação de famílias afetadas pelo ‘lay-off’ ou desemprego.