Silence 4 esperam uma "grande festa" na MEO Arena

Entrevista à banda de Leiria dias antes do regresso à grande sala de Lisboa.

Nos dias 12 e 13 de dezembro, os Silence 4 regressam a uma das salas que melhor conhecem, a MEO Arena, em Lisboa, de quem se esperam que toquem as músicas mais queridas do público. A famosa versão dos Erasure, ‘A Little Respect’, ‘Borrow’, ‘Only Pain Is Real’, ‘To Give’ ou ‘My Friends’ não são apenas canções, mas sim mandados num alinhamento de um concerto de Silence 4, tal o magnetismo que provoca ao público. 

A entrevista ao cantor David Fonseca e ao baixista Rui Costa – e com o baterista Tozé Pedrosa presente – teria que ser breve mas com muitas gargalhadas pelo meio. O ânimo de celebração dos 30 anos da banda não pode estar melhor. 

O que é que os fãs dos Silence 4 podem esperar destes concertos em Lisboa? Vão ser diferentes dos concertos do Porto?
David Fonseca - Eu acho que a diferença essencial é que um foi no Porto, e este vai ser em Lisboa. Não há uma diferença essencial, porque a nossa banda só fez dois discos. Portanto, nós não podemos diversificar assim tanto. Apesar da experiência que a gente teve nestes concertos do Porto, é muito difícil dizer que um concerto foi igual ao outro, mesmo no Porto. Apesar de tocarmos as canções que muitas das pessoas estão à espera, a forma como o público as recebe e como acaba por interagir com elas tem sido diferente de noite para noite. Sempre espetacular, a realidade é essa. E é isso que a gente espera também destes dois concertos aqui em Lisboa, que seja uma grande festa. 

David Fonseca

Vai haver convidados nos espetáculos?
DF - Não, somos só nós, as estrelas. 
Quatro mais um, não é? 
DF - Quatro mais um, exatamente. O nosso músico, Paulo Pereira [teclista], que nos tem acompanhado nesta longa saga. Somos os cinco em palco, é isso. 

Vão arrumar novamente o carro no palco, como o fizeram em 2014?
Rui Costa - Desta vez, vai ser muito mais simples, apesar de ser um palco lindíssimo. E convém dizer que também vamos tocar temas que não tocávamos no início, e que fazem parte do álbum de raridades [que saiu na passada sexta-feira, "Rarities"].

Vocês agora têm aquelas telas.
DF - Agora temos os Silence 4 do tamanho de um prédio, que é como nos sentimos. [risos]

Está fechado o ciclo criativo do Silence 4 ou pode aparecer de repente uma canção nova? 
DF - Eu acho que o ciclo criativo que nos fez crescer entre 1995 e 2001 está fechado, porque a realidade é que dificilmente seríamos as mesmas pessoas que fizemos o projeto nessa altura. Éramos todos muito mais novos e tínhamos uma visão diferente da música, da própria música em si, da abordagem que a música tinha na altura. Nós agora fazemos uma coisa criativamente, que teria que ser radicalmente diferente da que fizemos. 
RC: O que é interessante, fazer algo criativamente diferente. Para mim, está sempre tudo em aberto. Desculpa interromper-te, mas pronto, já disse. Adeus. 
DF: É por isto que a banda não consegue continuar. [Risos] 
RC - Uma coisa muito interessante que tem acontecido nos ensaios é que nunca tocámos tão bem como agora. Estamos mesmo a tocar muito bem. Curiosamente, nem estamos a ensaiar muito. Ensaiamos meia hora e falamos durante duas horas. Ficamos ali duas horas a conversar. 
DF - Às vezes é horrível. Quem sofre mais com isto é o Tozé [Pedrosa, o baterista], porque eu vejo a cara de desespero dele. Ele quer ensaiar, eu percebo-o. Foi por isso que ali fomos. 
RC: E o David “blá, blá, blá”, e eu, pronto, também... 
DF: Mas eu também reconheço que essas duas horas a conversar são muito importantes até para depois tudo fluir muito mais facilmente. 
RC: Eu e o David somos dois humoristas quase profissionais, estamos bem um para o outro. E então, pronto, torna-se interessante e hilariante. 

David Fonseca e Rui Costa

Alguma vez conheceram os Erasure? 
DF: Não, com muita pena minha. Eu lembro-me que estivemos perto disso, eu julgo que foi em 2000, no programa do Herman, que estava na SIC. [A hipótese de um encontro] chegou a estar em cima da mesa, eu sei que houve uma proposta da Universal para isso acontecer. Os Erasure seriam os convidados no programa do Herman e no mesmo programa iriamos estarmos nós também. E inclusive, a proposta, na altura, era que houvesse essa possibilidade de tocarem os dois juntos o tema, eles na versão deles e nós na nossa. E, infelizmente, isso nunca chegou a acontecer. Eu gostaria imenso de conhecer os Erasure, que são dois elementos: o Vince Clarke e o Andy Bell. E gostava muito de os conhecer porque eu acho que eles, sem saberem, acabaram por se tornar uma força gigantesca dentro do nosso projeto. 
Será que não sabem? Se calhar, sabem. 
DF: Eu tenho a certeza que sabem. Pelo menos a conta bancária deles deve saber. [Risos] Provavelmente, eles devem ter reparado que houve qualquer coisa que aconteceu em Portugal. Agora, se gostaram ou não, não faço ideia. Mas eu acho que seria interessante conhecê-los, nem para [apenas] lhes agradecer a canção que eles fizeram e que, na realidade, nos ajudou tanto no início da nossa carreira. 

David Fonseca