Síria: "cessar fogo é urgente"

Assinalaram-se esta semana sete anos do início da guerra síria.

Já passaram 7 anos. A guerra na Síria iniciou-se em 2011, mas nem por isso se conseguiram criar dinâmicas que assegurem a chegada de ajuda humanitária.

Os Médicos Sem Fronteiras reforçam a urgência de um cessar fogo que torne possivel prestar ajuda humanitária à população de Ghouta Oriental.

A psicóloga Maria Palha esteve em Alepo há cinco anos, em 2013, e assitiu bem de perto ao terror que agora se vive em Ghouta. Diz que sem garantias de segurança, é impossível atuar.

"É necessário que haja uma autorização, um acordo, entre as vários regiões do conflito e com os vários intervenientes", refere. Só assim, diz Maria Palha, será possível "fazer humanidade e prestar serviços de saúde, evacuando os doentes mais graves e apoiando as equipas médicas no terreno para que possam descansar".

A região de Ghouta, bastião rebelde, está cercada há cerca de 5 anos e nas últimas semanas intensificaram-se os bombardeamentos do regime de Bashar Al-Assad.

A psicóloga fala na situação dramática que a população vive e na necessidade urgente de equipamentos médicos.

 

 

As equipas de saúde que estão no terreno estão esgotadas e, diz Maria Palha, arriscam a propria vida para continuar a sua missão. "Estamos a apoiar 20 clínicas, 15 já sofreram bombardeamentos (...) Mesmo assim, mantêm a sua missão e continuam a prestar este tipo de serviços", explica. Em 2013, por exemplo, sentiu na pele o terror de um ataque.

 

 

Apesar de todos os riscos, questionada se quer voltar, a psicóloga não hesita e diz que a motivação é "prestar apoio médico a populações que muitas vezes não têm voz e acabam por ser esquecidas devido a conflitos".

Há sete anos, a reação do regime de Bashar al-Assad a uma manifestação, organizada por familiares de prisioneiros políticos, marcou o início deste conflito que já matou mais de 350 mil civis.