Sobe para 633 o número de vítimas mortais da enxurrada no Nepal
Mais de 2.000 pessoas continuam desaparecidas, incluindo mais de 500 estrangeiros, dos quais três são portugueses.
A enxurrada de quarta-feira que atingiu a zona fronteiriça entre o Nepal e o Tibete causou a morte de pelo menos 633 pessoas, de acordo com um novo balanço divulgado hoje pelas autoridades nepalesas.
Segundo a autoridade responsável pela gestão de situações de emergência no Nepal, morreram pelo menos 626 pessoas - a que se juntam mais sete mortes no lado da China - e 2.426 estão desaparecidas, incluindo mais de 500 estrangeiros.
O anterior balanço, feito horas antes pela polícia nepalesa, apontava para 616 mortos, enquanto 1.924 pessoas continuavam desaparecidas. Mais de 3.700 pessoas já foram resgatadas no Nepal.
O brigadeiro-general Raja Ram Basnet, porta-voz do exército nepalês, disse hoje que as operações com helicópteros estavam suspensas até que as condições meteorológicas melhorassem.
Mas o porta-voz disse que os esforços de resgate continuam no estaleiro de construção de uma central hidroelétrica, onde as autoridades acreditam que mais de 100 pessoas estão presas num túnel cheio de lama espessa.
Basnet disse que os socorristas usaram cestos e cordas para chegar a algumas pessoas, mas a operação continuava a ser difícil, sobretudo devido à lama, com 1,2 a 1,5 metros de espessura.
O porta-voz disse que as equipas de resgate também foram forçadas a mudar temporariamente de local quando as autoridades emitiram alertas sobre possíveis novas inundações.
Os esforços de busca e salvamento continuaram em vários locais do Nepal e do Tibete, incluindo o Projeto Hidroelétrico Upper Trishuli-1, no distrito de Rasuwa, no Nepal, e a passagem fronteiriça de Gyirong, severamente danificada, no lado chinês.
Já hoje, a China subiu de cinco para sete o número de mortos causados no Tibete pela enxurrada, enquanto a imprensa estatal chinesa reduziu o número de desaparecidos de 558 para 554, incluindo 260 estrangeiros.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa na sexta-feira que dois portugueses dados como desaparecidos na sequência da enxurrada foram "localizados em segurança", mas há dois novos desaparecimentos, elevando o total para três.
De acordo com a emissora estatal chinesa CCTV, as equipas de resgate salvaram dois residentes da cidade de Resuo, no condado de Gyirong, no sudoeste da China.
A nova contagem mostra menos quatro pessoas desaparecidas do que o balanço anterior, após o resgate de duas pessoas e a confirmação de duas mortes, embora a CCTV não tenha especificado se os dois falecidos estavam entre os desaparecidos.
As operações de busca continuam hoje nos arredores da passagem de Gyirong, depois de as primeiras equipas profissionais terem conseguido chegar ao centro da área devastada por terra na sexta-feira, após dois dias de dificuldades devido a estradas destruídas, deslizamentos de terra e interrupções nas comunicações.
