Sofia Barroso Sá à procura de levar o golfe nacional ao Ladies European Tour
Sofia Barroso Sá venceu o Campeonato Nacional de sub-10 com nove anos.
Sofia Barroso Sá é a única golfista profissional portuguesa e a melhor representante nacional no Ladies Open de Portugal, no Vidago Palace, onde se prepara para lançar uma candidatura ao Ladies European Tour (LET), em 2027.
A jovem natural de Belmonte, de 22 anos, tornou-se profissional de jogo antes do verão e, graças a convites da Federação Portuguesa de Golfe (FPG), está a disputar o quarto torneio da época no Ladies European Tour Access Series (LETAS), segunda divisão do golfe feminino profissional europeu, em Chaves, mas a sua ambição passa por conquistar o cartão de membro efetivo do principal circuito.
“O meu objetivo é ganhar experiência no LETAS com estes convites da FPG e, em dezembro, jogar a Escola de Qualificação para tentar aceder ao principal LET”, avança aquela que procura tornar-se na primeira portuguesa com estatuto de membro efetivo da primeira divisão do golfe europeu.
Enquanto na vertente masculina Portugal já teve vários membros do DP World Tour, como Daniel Silva, Filipe Lima, Ricardo Santos e Pedro Figueiredo e atualmente Ricardo Melo Gouveia e Daniel Rodrigues, o golfe feminino apenas teve uma representante no LETAS, Joana Sá Pereira, nascida na Suíça, filha de emigrantes portugueses.
O histórico modesto e pouco animador, contudo, não afeta a motivação e confiança de uma jogadora nascida para o golfe aos sete anos, por influência do pai, numa zona onde a prática da modalidade só era possível no campo de ‘pitch and putt’ da Quinta da Bica, que fechou portas quando Sofia Barroso Sá tinha 11 anos.
“Se calhar por nunca ter crescido ao pé de um campo de golfe, eu raramente vejo obstáculos. Sempre fui uma pessoa motivada e disciplinada e assim que concretizo um objetivo, estabeleço outro. Portanto, o facto de nunca termos tido uma jogadora a singrar como profissional nunca me afetou negativamente. Esta é a minha história, é o meu percurso e até me dá motivação para chegar a esse patamar”, confessa a golfista, que praticava o ‘putt’ num tapete na quinta dos avós, onde o pai criou uma espécie de ‘driving range’, e fazia viagens de uma hora e meia de carro para treinar num campo de 18 buracos.
Sofia Barroso Sá venceu o Campeonato Nacional de sub-10 com nove anos e, depois de abdicar de outras modalidades que praticava por se ter apaixonado pelo golfe, sagrou-se campeã nacional em todos os escalões, “com exceção dos sub-16”, e sempre com a obrigação prosseguir os estudos, uma imposição dos pais.
“Foram tempos difíceis. Faltava muito às aulas para jogar torneios e os professores não me levavam a sério por jogar golfe. Ganhei duas vezes a Taça da Federação, com 13 e 14 anos, três Campeonatos Nacionais Absolutos e percebi que, para jogar e estudar ao mesmo tempo, teria de sair do país, neste caso, para os Estados Unidos”, conta, recordando uma decisão tomada aos 15 anos, com o apoio dos pais.
Depois de ter passado os últimos quatro anos na Texas Christian University e a competir no golfe universitário norte-americano (NCAA), onde se destacou na equipa das Horned Frogs, a atleta regressou este verão de Austin com uma licenciatura em Economia e, graças ao apoio da FPG e da família, decidiu investir numa carreira profissional entre a elite do golfe europeu.
“Há um ano joguei com o Scottie Scheffler [número um mundial] e uma das coisas que ele me disse foi: nunca desistas dos teus sonhos. Foi uma frase que ficou comigo”, contou, após o final da primeira volta do Ladies Open de Portugal.
De regresso ao Clube de Golfe Quinta do Lago e ao treinador José Ferreira, com quem trabalhou desde 2019 até se mudar para os Estados Unidos, Sofia Barroso Sá divide-se entre Belmonte, onde reside, e o Algarve, onde passa temporadas a treinar, para tentar “melhorar, evoluir e aprender que no golfe não há perfeição.”
“Trabalhadora, motivada, disciplinada, resiliente e apaixonada pelo golfe”, como se define, nesta ainda curta experiência como profissional no LETAS, diz não ver grandes diferenças em relação às restantes golfistas.
“Diria que estamos todas mais ou menos ao mesmo nível, sendo que podemos estar um bocadinho melhor numa semana e ganhamos e na semana seguinte podemos nem passar o ‘cut. Sinto que estou muito melhor do que quando cheguei dos Estados Unidos, mas ainda não atingi nem metade do meu potencial”, considera.
Uma mentalidade e um histórico que leva Nélson Ribeiro, diretor técnico nacional, a acreditar no potencial de Sofia Barroso Sá, “convocada aos 14 anos para o Campeonato do Mundo, onde já fez uma volta abaixo do Par, e desde cedo deu indicadores de que poderia ser uma jogadora deste nível.”
“A treinar de uma forma regular e com o apoio certo, a Sofia é uma jogadora do circuito LET. Tem um perfil compatível com este nível, literacia motora, sempre foi muito boa em termos de motricidade e evoluiu muito a sua capacidade de finalização nos Estados Unidos. Olhando para as jogadoras e para a Sofia, mantendo o distanciamento, não se consegue ver diferenças, por isso acredito que, mais cedo ou mais tarde, estará dentro do lote dessas jogadoras”, defendeu o Selecionador Nacional.
