STAL antecipa efeitos da greve na recolha do lixo já esta noite

Presidente do sindicato, Cristina Torres, nota os trabalhadores preocupados com o aumento do custo de vida.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) espera “uma grande adesão” à greve de quarta-feira, contra a proposta de pacote laboral do Governo, e que os efeitos se façam sentir já hoje na recolha de resíduos.

“Os trabalhadores estão atentos, estão preocupados” não só com “as intenções do Governo, com o pacote laboral, mas também muito com o poder de compra. Há (…) muita preocupação com as dificuldades de fazer face àquilo que é necessário no dia-a-dia, as necessidades básicas, alimentação e habitação”, afirmou Cristina Torres.

Por isso, a presidente da direção nacional do STAL, em declarações à Lusa, disse esperar “que haja uma grande adesão dos trabalhadores da administração local e do setor empresarial local à greve convocada para amanhã [quarta-feira], que começa ainda hoje à noite”.

A CGTP-IN entregou um pré-aviso de greve geral para 03 de junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo na Concertação Social.

“O STAL fez centenas de plenários e de ações de contacto com os trabalhadores, fez esta preparação da greve continuando a esclarecer os trabalhadores sobre o que está em causa com o pacote laboral”, explicou Cristina Torres, notando que as alterações não se destinam “só para o setor privado, é para todos os trabalhadores, calha a todos”, e tem obtido como resposta “entusiasmo” e “manifestação de vontade de adesão à greve”.

Para a dirigente sindical, é necessário derrotar o pacote laboral, e embora “convicta [de] que os trabalhadores já o rejeitaram, na sua esmagadora maioria”, agora “é preciso derrotá-lo, é preciso que ele vá ao chão”, pois como disse “é só mais um empurrão e o pacote vai ao chão”.

“Mas é necessário também que, no campo da administração pública, (…) o Governo responda àquilo que a Frente Comum e os seus sindicatos reivindicam, que é o aumento dos salários, o aumento intercalar de salários, que faça face ao problema do custo de vida” e “que os trabalhadores da administração local sejam valorizados”, advogou.

A responsável do STAL salientou que os trabalhadores, quer seja “sentados à secretária”, com “a vassoura na mão”, atrás “de um camião de recolha do lixo” ou “a garantir que a água chegue às torneiras” dos munícipes “têm consciência da importância do seu trabalho”, mas não veem isso “refletido na sua vida, nos seus salários, nos seus direitos”.

“É preciso que este governo olhe para os seus trabalhadores, olhe para o seu povo e responda às suas necessidades, em vez de responder só aos desejos gananciosos de meia dúzia de grupos económicos”, proclamou.

Em relação aos efeitos da greve, Cristina Torres admitiu que os primeiros serviços afetados sejam os “da recolha de resíduos”, que costumam começar a operar a partir das 22h00, mas que, devido à paralisação, “os carros vão ficar dentro dos estaleiros e dos parques de viaturas e não vai haver recolha”.

Depois, espera também uma forte adesão de “equipamentos coletivos, como bibliotecas, piscinas, mesmo serviços administrativos” e escolas, juntamente com os “camaradas da função pública”.

A luta do STAL vai além do pacote laboral, com o aumento da precarização dos postos de trabalho, facilitação dos despedimentos e desvalorização da contratação coletiva, também em defesa do suplemento de penosidade e insalubridade, regulamentação das profissões de desgaste rápido e reposição do direito à indemnização devida por acidente de trabalho ou doença profissional.

“Os trabalhadores da administração pública continuam limitados nesse direito, portanto só os trabalhadores que têm uma perda de capacidade igual ou superior a 30% é que recuperaram o direito, todos os outros continuam sem o direito à devida compensação indemnizatória sobre a perda de capacidade por acidente de trabalho”, apontou.

O STAL vai ter piquetes de greve, entre outros, na Amadora, Loures, Sintra, Setúbal, Seixal, Porto ou Braga, com o que Cristina Torres assegurou ser uma “grande vontade de vencer” esta batalha. Aos trabalhadores deixou o apelo: “Façam greve, juntem-se a todos, unam-se, porque é preciso termos todos direito a uma vida com dignidade.”