Tailândia: a generosidade em forma de resgate

Quem são os protagonistas da bem sucedida operação na gruta de Tham Luang que, com risco para a própria vida, não hesitaram em avançar para uma missão que chegou a ser considerada impossível.

Quando foi dado o alerta de que estavam desaparecidos 12 crianças e um adulto numa gruta, especialistas em buscas e resgates de todo o mundo acorreram à provincia de  Chiang Rai, no norte da Tailândia, para ajudar. Foram todos essenciais num salvamento que contou ainda com dezenas de voluntários locais que prestaram auxílio numa operação verdadeiramente global. Apesar da maioria dos envolvidos continuar anónimo por vontade própria, são conhecidos alguns dos nomes e rostos dos membros das equipas de socorro. Muitos deles correram risco de vida para salvar as vítimas deste acidente.

O Navy Seals tailandeses tiveram um papel fundamental. Três homens voluntariaram-se para ficar a acompanhar os 12 rapazes e o treinador no interior da gruta desde o dia em que foram encontrados. Só saíram depois de todos estarem a salvo. Um dos membros desta força especial é um médico, Pak Loharnshoon, que prestou primeiros socorros às crianças. 

Dezenas de mergulhadores participaram neste resgate. Quem encontrou a equipa de futebol juvenil, ao fim de 9 dias de buscas, foi o britânico John Volanthen, especialista em mergulho em cavernas. Volanthen e outros dois especialistas também britânicos, Richard Stanton e Robert Harper, foram chamados pelas autoridades tailandesas para ajudar nos esforços para encontrar os desaparecidos. Têm experiência em salvamentos do mesmo género e participaram em operações de resgate no México, França e Noruega. Chegaram à Tailândia três dias depois do alerta de desaparecimento, a 23 de junho.

 


O médico australiano Richard Harris abdicou das férias na Tailândia assim que foi chamado pelas autoridades e pelos mergulhadores britânicos para socorrer as vítimas presas na gruta de Tham Luang, dadas as suas competências comprovadas em cenários idênticos. Juntamente com os três navy seals, esteve junto aos 12 rapazes e ao treinador desde que foram encontrados. Fez a avaliação da situação das vítimas para garantir que podiam cumprir o díficil percurso de saída da gruta. O anestesista de formação só saiu da gruta quando os 13 rapazes estavam a salvo. A alegria da missão bem sucedida foi ensombrada pela notícia de que o seu pai morreu no dia em que terminou o resgate.

 

 

O belga Ben Reymenants é dono de uma loja de mergulho em Phuket e há informação de que estaria com o grupo que encontrou as crianças, a 2 de Julho, assim como um instrutor dinamarquês, Claus Rasmussen. 

Entre as dezenas de mergulhadores que ajudaram nas operações de resgate estão vários instrutores de mergulho. O filandês Mikko Paasi ajudou no reconhecimento da gruta e, de acordo com um post de Facebook da mulher, rumou a Chiang Rai no dia em que fazia 8 anos de casado. O dinamarquês Ivan Karadzic, colega de Paasi também se juntou aos esforços de salvamento e em entrevista à BBC revelou que quando a viu a primeira criança teve receio por não saber se seria "um rapaz ou um corpo". Não escondeu a alegria por perceber que a criança estava bem.

 

 

O canadiano Erik Brown é também instrutor de mergulho e no Facebook revelou que fez sete missões de mergulho em nove dias, o que significa 63 horas dentro da gruta de Tham Luang.

 

 

Apesar do sucesso da missão há uma morte a lamentar. Um ex-navy seal que esteve activamente a ajudar as vítimas deste acidente, Saman Gunan, de 38 anos, perdeu os sentidos quando fazia o caminho para sair da gruta, depois de ter levado oxigénio aos rapazes. O colega que o acompanhava tentou reanimá-lo mas sem sucesso. À BBC a mulher de Gunan, já considerado um herói, disse que o marido "adorava ajudar os outros".