Talking Heads juntos pela primeira vez em 21 anos
Os quatro ex-membros estiveram no Toronto International Film Festival para falarem sobre o documentário ao vivo de 1984, "Stop Making Sense".
Os quatro músicos que formaram os Talking Heads - o vocalista David Byrne, o guitarrista Jerry Harrison, a baixista Tina Weymouth e o baterista Chris Frantz - estiveram pela primeira vez juntos em mais de 21 anos, para falarem ontem no Toronto International Film Festival sobre o filme-concerto de 1984 realizado por Jonathan Demme, "Stop Making Sense", que reproduz os espetáculos dados pela banda new wave no Pantages Theatre, em Los Angeles, em dezembro de 1983.
Após a sessão da estreia mundial da cópia restaurada de "Stop Making Sense", os quatro ex-membros dos Talking Heads sentaram-se lado a lado para uma conversa pública, moderada pelo pouco moderado Spike Lee, que não teve problemas em aclamar o documentário de Jonathan Demme como "o melhor filme-concerto de sempre".
Cada um dos músicos efetivos dos Talking Heads foi detalhando alguns pormenores à volta da produção de "Stop Making Sense". O baterista Chris Frantz recorda como tudo começou: "após ter visto o nosso espetáculo, o Jonathan Demme veio ter connosco para nos dizer: 'eu adorava fazer um filme convosco'".
O guitarrista Jerry Harrison fala com comoção do "imenso divertimento em palco" vivido naqueles concertos de 1983, "com o público a ser envolvido".
David Byrne explicou também que a banda não dava orientações diretas sobre a montagem, mas os Talking Heads iam fazendo sugestões ao realizador, a partir dos 18 registos de câmaras de filmar - seis em simultâneo utilizadas em cada uma das três noites no Pantages Theatre. "Conheciamos o espetáculo de trás para a frente", justificou o líder dos Talking Heads.
O tema 'Once In a Lifetime' é o momentos preferido de "Stop Making Sense" para vários dos membros dos Talking Heads, como Chris Frantz ou David Byrne, que lembra que a interpretação da música ficou registada em apenas uma só filmagem, sem cortes de edição.
Sobre o gigante fato vestido a dado momento por David Byrne, que se tornou uma das imagens icónicas de "Stop Making Sense", o cantor detalha como surgiu a ideia: "Eu estava a jantar no Japão depois de termos finalizado uma digressão e o estilista diz-nos: 'bem, David, sabes que no teatro é tudo maior que na vida real'. Ele estava a referir-se a gestos, a cantar mais alto e isso tudo. E eu comecei a pensar: "o meu fato devia ser maior também".
Para David Byrne, "Stop Making Sense" é uma obra invulgar no contexto do que foi fazendo Jonathan Demme: “não havia nada visualmente na sua filmografia que se comparasse a isto. Ele conhecia bem como cada um interagia com o outro e ele levou isso para um filme. Não costumamos ver isso num filme-concerto".
A última vez que os quatro membros dos Talking Heads tinham sido vistos juntos em público foi na cerimónia de indigitação da banda nova-iorquina no Rock & Roll Hall of Fame em 2002, onde deram a sua última prestação ao vivo, um curto alinhamento de quatro músicas: 'Psycho Killer', 'Life During Wartime', 'Burning Down the House' e a versão de 'Take Me to the River' (de Al Green).
