TAP: Ex-secretário de Estado das Infraestruturas reconhece opinião infeliz sobre voo de PR
Hugo Mendes diz ainda ser ridícula a acusação de ter impedido companhia de articular com Finanças.
O ex-secretário de Estado Hugo Mendes reconheceu hoje que foi infeliz a opinião que partilhou com a ex-presidente executiva da TAP sobre um voo do Presidente da República, mas assegurou que não deu qualquer instrução para alterar a data.
“Penalizo-me pelo comentário que partilhei com ex-CEO sobre o senhor Presidente da República, embora quisesse tão só sinalizar junto de alguém com quem tinha uma relação profissional de confiança o apoio que o senhor Presidente da República deu à difícil decisão de resgatar a TAP”, disse Hugo Mendes na sua intervenção inicial na comissão de inquérito à TAP a propósito de um email sobre a alteração da data de um voo de Marcelo Rebelo de Sousa.
Reconhecendo que “não devia ter emitido nem partilhado aquela opinião tanto no seu conteúdo como na sua forma”, o antigo governante garantiu que não partiu dele “a iniciativa de pedir nada” e que foi o “destinatário de um email” que a ex-CEO endereçou a “expressar uma dúvida”.
“Limitei-me a partilhar uma opinião. Foi sem dúvida infeliz, mas eu não dei nenhuma instrução”, assegurou.
Na opinião de Hugo Mendes, Christine Ourmières-Widener “tanto sabia que não era uma instrução como tomou a decisão que entendeu ser a melhor na esfera da sua autonomia” e não alterou o voo.
“Se tivesse sido uma instrução que não tivesse esse sido cumprida merecia uma chamada de atenção”, ressalvou.
Ourmières-Widener enviou um email a Hugo Mendes a pedir a sua opinião sobre o pedido que recebeu da agência de viagens, tendo o então governante respondido que era importante manter o apoio político de Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que era o “principal aliado” do Governo mas que poderia tornar-se o “pior pesadelo”.
O ex-secretário de Estado das Infraestruturas considerou ainda que a acusação de ter impedido a TAP de articular com o Ministério das Finanças é “ridícula”, sublinhando que as negociações com a Comissão Europeia intensificaram cooperação entre as duas tutelas.
Na comissão de inquérito à TAP, Hugo Mendes lembrou que “foi o Ministério das Finanças que liderou o processo crítico” de negociações com a Comissão Europeia, em 2020, para o auxílio de Estado à companhia aérea e consequente plano de reestruturação, considerando, por isso, uma “acusação ridícula” a ideia de que impediu a companhia aérea de articular com a tutela financeira.
O ex-secretário de Estado da equipa de Pedro Nuno Santos sublinhou que as duas tutelas se pautavam por uma “intensa cooperação”, que se tornou mais forte dada a necessidade de negociar com Bruxelas, cujo único interlocutor direto era o ex-secretário de Estado do Tesouro Miguel Cruz.
