TAP: Lufthansa diz ter recebido sinais favoráveis de três sindicatos portugueses
O presidente executivo da Lufthansa diz que os contactos ocorreram durante a noite ou na manhã de hoje.
O presidente executivo da Lufthansa afirmou hoje ter recebido sinais de abertura de três sindicatos portugueses à integração da TAP no grupo alemão, numa resposta a dúvidas de analistas sobre possíveis tensões laborais.
Numa conferência telefónica com analistas e investidores, Carsten Spohr foi questionado sobre o risco de conflitos laborais prejudicarem a integração da TAP, tendo referido que recebeu, "nas últimas horas", manifestações favoráveis à cooperação com o grupo alemão.
"Mesmo a tempo desta conferência, recebemos respostas de três sindicatos de Lisboa", afirmou o gestor, referindo que os contactos ocorreram durante a noite ou na manhã de hoje.
Segundo Carsten Spohr, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) manifestou-se "muito aberto ao diálogo e favorável ao negócio", tendo o Sindicato Independente de Pilotos de Linhas Aéreas (SIPLA), que representa pilotos da Portugália, transmitido uma posição semelhante.
O presidente executivo da Lufthansa afirmou ainda ter recebido uma carta dos representantes dos pilotos da TAP, não detalhando de que estrutura sindical, enviada na quarta-feira ou no dia anterior, na qual, segundo o gestor, também era acolhida favoravelmente a cooperação com o grupo alemão.
Carsten Spohr considerou que as reservas manifestadas anteriormente relativamente à Lufthansa estiveram, em parte, relacionadas com conflitos laborais envolvendo os pilotos do grupo na Alemanha.
"Todos os encontros que tivemos, incluindo com os próprios sindicatos em Lisboa, mostraram-nos que compreendem que temos um historial comprovado de desenvolvimento e crescimento das companhias aéreas que adquirimos", afirmou Carsten Spohr.
O responsável destacou ainda que a estratégia do grupo passa por aumentar a presença internacional e reduzir a dependência das operações na Alemanha, devido aos elevados custos laborais e de infraestruturas naquele país.
Spohr explicou ainda que os "elevados custos laborais e de infraestruturas" na Alemanha obrigam o grupo a realizar uma parte significativa do seu crescimento fora daquele país.
"Penso que esta estratégia de internacionalização foi bem compreendida pelos sindicatos, não apenas na TAP, mas também nas outras subsidiárias fora da Alemanha", afirmou.
Na quarta-feira, após o anúncio da escolha da Lufthansa pelo Governo português, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) considerou que a TAP ficaria bem entregue a qualquer um dos dois concorrentes, incluindo a Air France-KLM.
Já o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) manifestou preocupação com a salvaguarda dos postos de trabalho e lamentou que os trabalhadores não tenham sido ouvidos durante o processo de privatização.
Em declarações à Lusa, o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, defendeu que é necessário perceber se estão garantidos os interesses da TAP e dos seus trabalhadores, manifestando reservas quanto à centralização das decisões do grupo Lufthansa na Alemanha.
Também na quarta-feira, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, assegurou que a operação respeitará os acordos de empresa e os direitos laborais dos trabalhadores da TAP.
Questionado sobre eventuais reestruturações do quadro de pessoal, o governante afirmou que o objetivo é aumentar a atividade da transportadora, o que exigirá mais trabalhadores.
Pinto Luz afirmou ainda que o Governo prevê a criação de milhares de postos de trabalho associados ao crescimento da companhia, reiterando o compromisso de respeito pelos acordos laborais existentes.
A Lufthansa foi selecionada na quarta-feira para adquirir inicialmente 44,9% do capital da TAP, por um preço de referência de 1.025 milhões de euros, podendo a participação aumentar até 49,9%, caso os trabalhadores não subscrevam a totalidade das ações que lhes estão reservadas.
O grupo alemão prevê concluir a operação no primeiro semestre de 2028, dependendo ainda das autorizações regulatórias necessárias.
