Tempestade Kristin: Um mês depois
Portugal continua a fazer contas a um dos episódios de mau tempo mais caros e mortíferos das últimas décadas.
Um mês depois da passagem da tempestade Kristin, Portugal continua a fazer contas a um dos episódios de mau tempo mais caros e mortíferos das últimas décadas.
As estimativas mais recentes da estrutura de missão apontam já para prejuízos que podem chegar aos 6 mil milhões de euros – cerca de 2% da riqueza anual produzida no país – depois de sucessivas revisões em alta que começaram nos 2 mil milhões e rapidamente ultrapassaram os 4 mil milhões de euros. Só para respostas públicas imediatas e de curto prazo, o Governo reservou até 2,5 mil milhões de euros, incluindo cerca de 400 milhões para estradas e ferrovia, 200 milhões para autarquias – com foco em escolas – e 20 milhões para património como o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, ambos com danos visíveis.
Na habitação, multiplicam-se os relatos de casas destelhadas, inundadas ou estruturalmente afetadas, com centenas de famílias desalojadas ou realojadas temporariamente em hotéis, casas de familiares ou alojamentos municipais, enquanto avançam apoios diretos até 10 mil euros por agregado para obras de reparação e reconstrução. As infraestruturas críticas sofreram um impacto sem precedentes: milhares de quilómetros de rede elétrica foram danificados, dezenas de postes de muito alta tensão caíram e, em algumas localidades do centro do país, houve famílias que viveram quase um mês sem eletricidade estável, dependentes de geradores.
Ao nível humano, a Kristin deixou pelo menos cinco mortos diretamente associados à tempestade – quatro na região de Leiria, uma em Vila Franca de Xira e outra em Silves –, além de centenas de feridos e de entradas hospitalares por trauma em poucos dias. Num balanço mais alargado ao chamado “comboio de tempestades” que atingiu o país entre o final de janeiro e fevereiro, as Nações Unidas já contam 13 vítimas mortais e “centenas de desalojados”, sublinhando o peso psicológico e social de uma calamidade em que muitas comunidades perderam casas, negócios e referências de segurança. Entre estaleiros de obras, linhas de crédito, seguros acionados e ruas ainda marcadas por destroços, o país tenta agora reconstruir, com a consciência de que a fatura é elevada – e de que eventos extremos como a Kristin podem deixar de ser exceção para passar a fazer parte da nova normalidade climática. O próprio Governo admite que o levantamento completo dos estragos em infraestruturas “vai demorar meses ou anos”.
