Terceiro dia do julgamento dos Anjos vs Joana Marques. Próxima sessão marcada para 11 de julho

A dupla de irmãos, Nelson e Sérgio Rosado, pede uma indemnização de mais de um milhão de euros à humorista.

Esta segunda-feira, 30 de junho, decorreu na sala do Juízo Central Cível de Lisboa (Palácio da Justiça) o terceiro dia do julgamento que opõe a dupla musical Anjos à humorista Joana Marques.

A dupla de irmãos, Nelson e Sérgio Rosado, pede uma indemnização de mais de um milhão de euros a Joana Marques depois de, em abril de 2022, a humorista ter publicado um vídeo que mostrava excertos da atuação da dupla antes do início de prova do MotoGP em Portimão. 

O vídeo publicado por Joana Marques intercalava a interpretação do hino nacional pelos irmãos com reações do júri do programa de televisão "Ídolos", transmitido em tempos pela estação de televisão SIC. 

Os dois cantores alegam que sofreram danos pessoais e profissionais, incluindo o cancelamento de concertos, na sequência da exposição do vídeo. 

Segundo o Observador, a próxima sessão do julgamento ficou marcada para o dia 11 de julho - dia em que serão ouvidos o músico Pedro Taborda (Tatanka) e a própria Joana Marques. 

Na sessão de hoje, estiveram presentes o humorista Ricardo Araújo Pereira, o radialista Fernando Alvim e o agente de Joana Marques, Miguel Isaac, - todas testemunhas requeridas pela defesa de Marques. 

Do lado dos irmãos Rosado, testemunharam Bruno Miguel Santos (o contabilista da dupla) e António José Pereira Gomes, legal representante da Senhores do Ar, empresa que gere a marcação e produção dos espetáculos da dupla de irmãos. 

Ricardo Araújo Pereira foi uma das testemunhas que depôs em defesa de Joana Marques. Segundo o Observador, o humorista começou por dizer em tribunal que é “amigo e colega de trabalho da ré”. 

Ainda de acordo a publicação, Ricardo Araújo Pereira acrescentou, perante a juíza Francisco Preto, "o que está em causa é que a Joana fez um vídeo de um minuto, pôs no Instagram, que exprime a seguinte ideia: 'eu não gostei muito desta atuação musical'", referido ainda que “a gente vê o vídeo e percebe que se trata de um vídeo humorístico.”

Ricardo Araújo Pereira disse ainda na audiência que “o vídeo da Joana pressupõe a existência de um vídeo original”.

António José Pereira Gomes - da empresa Senhores do Ar - referiu que o Anjos viram concertos cancelados como é o caso de espetáculos “em Monte Gordo, Pedrogão e numa discoteca no Algarve".

“Tínhamos concertos em França e no Luxemburgo que acabaram por cair e ainda hoje pagamos a fatura por este assunto”, continua. “Tentámos produzir os espetáculos [cancelados], mas não correu bem”, referiu António José Pereira. À juíza, o representante da empresa referiu tratar-se de um “incidente pejorativo sobre a imagem e “prejudicial na carreira” dos Anjos e da Senhores do Ar. 

Fernando Alvim esteve na audiência porque usou a controversa atuação dos Anjos na cerimónia Monstros do Ano referentes a 2022 - um evento anual humorístico, criada pelo radialista, que premeia os episódios mais insólitos do ano. Fernando Alvim contou que na altura recebeu um telefonema de Nelson Rosado em que este lhe pedia para retirar o vídeo da gala. “O Nelson pediu-me para retirar o vídeo, disse que não fazia sentido, que os prejudicava e na verdade eu já tinha feito a cerimónia principal, já pouco usava o vídeo, achei que não havia problema nenhum em retirá-lo dos outros vídeos”, disse.

“Quero deixar claro que não via mal nenhum na exibição desse vídeo. Achei só que era um momento insólito”, acrescentou Alvim segundo o Observador. O radialista prosseguiu, dizendo que os Anjos não foram os vencedores da gala desse ano, já que ganhou o vídeo 'Sabão em Pó', das cantoras Senhoritas.


O radialista prosseguiu, dizendo que os Anjos não foram os vencedores dessa gala, mas sim as cantoras Senhoritas, com o vídeo de 'Sabão em Pó'. Fernando Alvim também sublinhou que o julgamento “vem recordar um momento que, hoje em dia, já ninguém se lembraria”. Quanto à profissão de humorista, Alvim salientou que  a edição do vídeo “um momento de humor".

O contabilista dos irmãos Rosado, Bruno Miguel Santos, testemunhou sobre a faturação da dupla. O advogado de Joana Marques perguntou: "considera que, não fosse qualquer coisa ter acontecido, entre 2022 e 2024, a faturação teria sido muito maior?". Bruno Miguel Santos respondeu afirmativamente.