The 1975 livres de responsabilidade individual por danos em festival malaio

Caso do beijo gay em palco continua em curso nas instâncias judiciais.

O juiz londrino William Hansen isentou os quatro membros da banda rock The 1975 de qualquer responsabilidade individual por causa do cancelamento do festival Good Vibes, na Malásia, na sequência do beijo entre o vocalista Matt Healy e o baixista Ross MacDonald, rejeitando o processo em tribunal contra cada um dos quatro músicos, como era intenção da organização do evento malaio.

Porém, é mantido o processo contra a entidade The 1975 Productions LLP, que assinou o contrato com a organizadora do festival em nome da banda. 

A entidade organizadora do propalado festival Good Vibes, a Future Sound Asia, reclamava uma indemnização por um valor superior a dois milhões euros à banda inglesa The 1975, por causa do seu alegado comportamento em palco na Malásia, em 2023, que viola as leis do país asiático.

O festival Future Sound Asia teve que ser cancelado por causa do beijo homossexual em público e em pleno concerto entre o vocalista Matty Healy e o baixista Ross MacDonald.

Nos documentos enviados ao Supremo Tribunal do Reino Unido, a Future Sound Asia argumentava que os 1975 e o management estavam a par das numerosas regras que teriam que cumprir, como a proibição de fumar, de troçar ou de beber em palco, bem como de tirar a roupa ou de falar sobre política ou religião.

A agência malaia que controla as atuações de artistas estrangeiros tinha a intenção de banir o concerto dos 1975 em Kuala Lumpur, por causa do passado de dependência de drogas de Matt Healy. A formação britânica terá recorrido da proibição, tendo prometido cumprir as orientações determinadas pelas autoridades malaias, para que tivessem autorizações tocar na Malásia – defende a acusação.

A Future Sound Asia alega que os 1975 decidiram subverter o seu compromisso na véspera do seu concerto na Malásia. A “alteração do alinhamento do espetáculo”, o “discurso provocador”, e o “abraço longo e passional” entre Matty Healy e Ross MacDonald com “a intenção de ofender e violar as regras acordadas” fizeram parte do processo movido contra a banda rock. Acrescenta-se ainda o comportamento de Matt Healy de beber álcool e de “agir como um embriagado”, de fumar cigarros, de fingir vomitar, de cuspir em excesso na direção do público, de um discurso carregado de impropérios e de estragos intencionais a um drone usado pela organização. A acusação defende que a saída apressada dos 1975 do país denuncia a consciência de que a banda tinha transgredido a lei malaia.

Depois do incidente, Matt Healy afirmou que “a submissão dos artistas às sensibilidades culturais dos locais” abre “um perigosíssimo precedente”. O vocalista dos 1975 defendeu que os beijos em palco entre entre ele e o baixista já tinham acontecido noutros concertos.
 
Poucas semanas depois da polémica, a Future Sound Asia havia endereçado uma carta aos 1975, reclamando um valor pecuniário superior aos dois milhões de dólares (mais de dois milhões de euros) por violação do contrato.

As leis na Malásia são muito proibitivas no que concerne a liberdade sexual. O biopic sobre os Queen e o seu vocalista Freddie Mercury, "Bohemian Rhapsody", foi censurado na Malásia, com um corte de 24 minutos. Foram retiradas as cenas em que se aborda a bissexualidade de Freddie Mercury, devido à lei federal malaia contra a homossexualidade. Ficaram de fora da exibição do filme na Malásia o diálogo de Freddie Mercury com a sua mulher Mary Austin em que lhe confidencia a sua sexualidade ou a feitura do vídeo 'I Want To Break Free', com a banda transvestida em roupas femininas. Os cortes motivaram algumas queixas de espetadores de que com a versão censurada pelo Estado malaio, o filme tornara-se incompreensível.