The Gift: "o melhor de um disco é quando o podemos tocar ao vivo"
A banda de Alcobaça anda na estrada a mostrar "Coral", o novo disco. Hoje, 11 de novembro, o concerto é em Coimbra.
Os Gift continuam a levar o grandioso e surpreendente "Coral" (disco mais recente) a várias salas portuguesas. Hoje, 11 de novembro, o grupo de Alcobaça atua no Auditório do Convento São Francisco, em Coimbra, mas também há datas marcadas para o Porto, Lisboa, Bragança e Portalegre. Outras tantas serão anunciadas em breve.
"Coral" chega com um coro clássico, composto por 48 elementos, cujas vozes foram gravadas em Viena de Áustria. À união sumptuosa das quase 50 vozes, a banda portuguesa juntou a eletrónica "ora crua e intensa, ora subtil", como diz o comunicado que apresenta o disco, e transformou "Coral" num registo que habita "fora do universo estético mais habitual do grupo". A composição e a produção são assinadas por Nuno Gonçalves e Sónia Tavares.
O processo de criação do novo álbum do quarteto português conta com nomes como Bernat Vivancos (compositor), Bronquio (músico e produtor), Ed is Dead (produtor de eletrónica), Bogdan Raczynski (produtor de eletrónica, conhecido por trabalhar com a islandesa Björk), Michal Juraszek (maestro), Pedro Marques (arranjador) e - para o toque tradicional português - os Pauliteiros de Miranda (percussão).
Entre muitos outros nomes que integram o coro clássico presente em todas as faixas, destaca-se ainda a colaboração de três das vozes fundadoras do grupo Gaiteiros de Lisboa (José Manuel David, Carlos Guerreiro e Rui Vaz).
A meio do circuito por teatros e auditórios, conversámos com a Sónia Tavares sobre a digressão que já passou por Alcobaça, Leiria, Faro, Albergaria a Velha e Castelo Branco.
Como é que estão a transpor a grandeza de "Coral" para o palco?
Somos só nós. Nós, os quatro, com mais 20 vozes. Este disco não tem guitarras, baterias, pelo menos assumidamente, por isso não vamos levar os músicos que nos costumam acompanhar. Não fazia sentido irmos para o palco com uma banda tradicional. Somos mesmo só nós. Os meninos nas eletrónicas e eu na voz acompanhada por 20 cantores brilhantes. Como estamos a fazer um circuito de teatros e auditórios não podemos levar um coro de 50 vozes. Creio que o som não seria o que desejaríamos. Encurtámos e optámos por levar 20 pessoas para o palco que, na minha opinião, vão atuar num cenário muito bonito. Fizemos questão que as vozes sobressaíssem no palco. Quisemos que fosse o elemento principal. Além do coro, temos outro tipo de "atividades" para abrilhantar o espetáculo, como projeções e esse tipo de coisas. (risos)
Como é que te sentes no palco, a cruzar a tua voz com as 20 vozes do coro?
É uma força incrível sobretudo nas músicas mais intensas, com um lado mais negro e com aquela tensão absoluta. É uma emoção, uma adrenalina. Um dos grandes prazeres que um músico tem na vida é aquela hora e meia em cima do palco. É para essa hora e meia que trabalhamos. Independentemente do número de vozes, a adrenalina está sempre lá, mas ver o resultado a soar com grandiosidade, que, no fundo, é isso que este coro representa, provoca-me borboletas na barriga.
Tocar este disco ao vivo celebra que os Gift são em 2022 mas creio que também celebra a vossa atitude eternamente rebelde e livre enquanto banda. É uma atitude permanente para ser celebrada…
Sim. A atitude permanece. Há uma canção que diz: 'só sei que aqui regressei'. É um bocado isso. Aconteça o que acontecer. Façamos os discos que fizermos, vamos sempre regressar aos palcos e ao público que nos acompanha há tanto tempo. Vamos sempre celebrar com as pessoas aquilo que criamos em casa. O melhor de um disco é quando o podemos tocar ao vivo. Sim. É uma celebração.
Datas anunciadas até ao momento:
01 de dezembro - Casa da Música - Porto
02 de dezembro - Centro Cultural de Belém - Lisboa
10 de dezembro - Teatro Municipal Bragança
17 de dezembro - Centro de Artes e Espetáculos de Portalegre
Entrevista na íntegra publicada em breve.
