The Weeknd: declaração de amor a Lisboa
Espetáculo de grande impacto visual no Estádio do Restelo. Neste domingo, há mais.
O calor abafado desta noite dava a sensação de uma sauna ao ar livre com vista para o rio Tejo e para o Cristo-Rei. Outra cidade se via dentro do Estádio do Restelo, no cenário do palco de The Weeknd, que viaja pelo mundo há mais de anos, tal como a estátua dourada gigante na rotunda dos corredores de palco.
Baptized in Fear abre o concerto com o impacto de uma cerimónia de abertura de Jogos Olímpicos: mulheres de túnicas vermelhas com fumos, os pulsos luminosos dados aos espectadores a espalhar magia e a máscara que The Weeknd enverga com olhos amarelos. Tudo isto daria uma excelente foto panorâmica.
Em "Wake Me Up", The Weeknd divide o protagonismo com a coreografia entrelaçada de 32 mulheres mascaradas e túnicas, debaixo de oito arcos montados no palco. Em ‘Starboy’, música feita com os Daft Punk, The Weeknd canta a sua crónica da luxúria - “Twenty racks, a table cut from ebony/Cut that ivory into skinny pieces” - com a ajuda do público, que tão bem já havia cantado o tema anterior, ‘After-Hours’.
Antes de cantar "Cry for Me", The Weeknd tira a máscara e mostra o seu rosto, para longa comoçäo geral, incluindo do próprio artista. Após a longa ovação, que The Weeknd soube alimentar, o cantor enaltece o simbolismo da sua digressão mundial ter começado na Grande Lisboa (referindo-se a Algés), e agora é onde vai finalizar esta etapa europeia, no Estádio do Restelo. Passadas quatro músicas, irrompe um fogo de artifício fugaz mas monumental a ajudar a deflagrar as emoções de ‘Sacrifice’. Em "How Do I Make You Love Me?", o corredor torna-se uma pista de dança gigante para The Weeknd, que se mexe sozinho sem par, mesmo que esbracejando para alguém do público, como quem suplica companhia. Em ‘Lost in the Fire’, o público volta a parecer-se um manto de lantejoulas gigante, com o incrível efeito global dos pulsos luminosos a faiscar. Só em ‘Given Up on Me’, o público parece acalmar um pouco e há quem finalmente se renda ao conforto da cadeira. "The Hills" é dos tempos em que The Weeknd era um artista underground, e durante essa interpretação quase que vamos todos para o espeto do churrasco tão próximos são os bafos das labaredas de palco.
Seguem-se dueto com o rapper Playboi Carti (o artista da primeira parte) em "Timeless" e em "Rather Lie", onde os dois arriscam ser chamuscados pelas chamas a menos de um metro.
O palco torna-se num belíssimo tufão gótico em "Stargirl Interlude", antes de The Weeknd fazer um dueto com uma fã empolgada na fila da frente em “Out of Time". "I Feel It Coming" prossegue o passeio de The Weeknd junto dos seus espectadores.
‘Die for You’ é outra colaboração com os Daft Punk que vem hoje à baila, com The Weeknd na outra ponta do palco, e a retoma do desfile de máscaras junto do cantor, como múmias que têm afinal vida.
22h50 é a hora em que se começa a ouvir ‘Save Your Tears’, mais um tema que ajudou The Weeknd a estar a dar concertos de estádio com os deste fim-de-semana no Restelo. A cancão tem empatia sedutora ao ouvido. Rumo à apoteose e à glória, ‘Less than Zero’ vem na sequência do apelo notívago, até à colina alta de Blinding Lights", catarse de synth-pop e um êxito global. Esta noite provou ser um épico de estádio..
Já próximo do final, The Weeknd cita o tema ‘Happy House dos Siouxsie and the Banshees em ‘House of Balloons". Para fechar à grande, ‘Moth to a Flame’ é levado à letra, com uma parafernália de pirotecnia difícil de resumir.
Na primeira parte, Playboi Carti tomou conta de toda a estrutura do palco do amigo The Weeknd, como se já fosse ele o nome forte da noite. Foi um livre acesso e passeio por todos os corredores do palco, com muitas chamas à volta do boneco dourado gigante, cortesia do comparsa The Weeknd.
