Libertados todos os 55 detidos pela PSP em Lisboa

Os arguidos foram notificados para apresentação no Tribunal de Pequena Instância, na quarta-feira.

Os 55 manifestantes detidos hoje de madrugada na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, foram constituídos arguidos, libertados e notificados para apresentação no Tribunal de Pequena Instância, na quarta-feira, disse à Lusa fonte da PSP.

O porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (PSP), Sérgio Soares, avançou que os detidos ficaram com termo de identidade e residência, além de terem sido notificados para se apresentarem na quarta-feira no Campus de Justiça para serem ouvidos por um juiz.

A PSP deteve hoje 55 manifestantes que alegadamente resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da Acampada de Lisboa, que se encontrava no Rossio desde sábado.

De acordo com a polícia, foi desenvolvida "no dia de hoje, pelas 05:45, uma operação policial nacional devidamente coordenada, na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto". Foram apreendidas, na capital, 228 estruturas de acampamento pela Polícia Municipal.

Fonte policial adiantou à Lusa que 29 dos detidos são homens e 26 mulheres.

Por seu turno, a Acampada de Lisboa disse que a resistência "à carga policial" de quem pernoitava no Rossio foi feita de forma "absolutamente pacífica", sem provocação aos polícias, enquanto a PSP garante ter atuado de forma "calma, proporcional e adequada".

Em comunicado publicado na sua página na rede social Instagram, a Acampada de Lisboa revela que por volta das 05:45, "enquanto a maioria das pessoas dormia, o corpo de intervenção da PSP apareceu no local onde estava, desde sábado, a decorrer uma acampada para exigir soluções para a crise da habitação".

Segundo o relato sobre a ação policial, "em menos de 15 minutos, e, ao contrário do que aconteceu simultaneamente no Porto, não dando sequer tempo aos presentes para recolherem os seus pertences, a polícia começou a reprimir aqueles que têm lutado por esta causa tão justa".

Os protestos pelo direito à habitação e o custo de vida tiveram início em Portugal, na cidade do Porto, a 10 de outubro, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I, junto ao Rivoli, e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

Nesse dia, a plataforma "Não dá mais para viver assim" promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.

A 15 de outubro o movimento que protestava no Porto desde o sábado anterior, com uma acampada que ali começou nesse dia, denunciou uma carga policial durante a madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais.

A acampada alastrou à cidade de Lisboa e a 17 de outubro juntou na praça do Rossio centenas de pessoas, que ali pernoitaram após decisão em assembleia popular que diariamente se realiza pelas 19:00.