Trabalhadores dos bares dos comboios da CP em greve a partir de segunda-feira

Sindicato adianta que a empresa responsável pela exploração dos bares decidiu deixar de pagar aos trabalhadores o "correspondente a 22 dias de subsídio de alimentação".

Os trabalhadores dos bares dos comboios de longo curso da CP iniciam na segunda-feira uma nova greve, por tempo indeterminado, em defesa dos direitos previstos no Acordo de Empresa (AE), anunciou esta sexta-feira fonte sindical.

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul, afeto à CGTP, acusa a Itau – que desde de abril de 2025 explora o serviço de refeições dos bares dos comboios Alfa Pendular e Intercidades – de se “recusar, desde o primeiro dia, a respeitar direitos consagrados no AE”.

“Mais recentemente, agravou o conflito ao retirar aos trabalhadores o pagamento correspondente a 22 dias de subsídio de alimentação, anteriormente pago”, acrescenta.

A agência Lusa tentou, sem sucesso, ouvir a administração da Itau.

A Federação dos Sindicatos da Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht) e o Sindicato de Hotelaria do Sul dizem ter tentado ao longo do último ano “resolver o conflito através da negociação, sem prejuízo dos trabalhadores e dos utentes da CP”.

“Contudo, a Itau mantém a sua posição, provocando perdas de cerca de 200 euros mensais aos trabalhadores, apesar de receber milhões de euros da empresa pública CP para assegurar a concessão do serviço de cafetaria e refeições a bordo dos comboios de longo curso”, lê-se no comunicado.

Os trabalhadores exigem o cumprimento integral do AE, a reposição do pagamento correspondente a 22 dias de subsídio de alimentação, aumentos salariais “justos” com retroativos a janeiro, a atualização das cláusulas de expressão pecuniária, condições de trabalho “dignas para os trabalhadores a bordo e de terra” e a negociação e assinatura de um novo AE com a Itau.

Acusando o Governo e a administração da CP de serem “cúmplices no arrastar do conflito laboral, em prejuízo dos trabalhadores e dos utentes”, o sindicato salienta que “têm conhecimento […] das sucessivas denúncias dos trabalhadores, mas continuam sem intervir para a sua resolução”.

“A secretária de Estado das Infraestruturas e a administração da CP têm recusado reunir-se com os representantes dos trabalhadores, apesar dos vários pedidos, permitindo que a situação se prolongue”, sustenta.

Em 2025, os trabalhadores dos bares dos comboios cumpriram já 18 dias de greve em defesa do AE e, em 2026, têm mantido a luta através de uma greve aos feriados, fins de semana e ao trabalho extraordinário.

No primeiro dia de greve, na segunda-feira, está agendada para as 14:00 uma concentração de trabalhadores e uma conferência de imprensa junto à entrada principal da Estação de Santa Apolónia.

No dia seguinte, pelas 10h30, os grevistas farão uma concentração de protesto junto à secretaria de Estado da Mobilidade e dos Transportes, no Campos XXI, na rua Brito Aranha, em Lisboa.