Transportadoras rodoviárias apreensivas com chegada do passe único
O novo passe único chega a 1 de abril. ANTROP espera que Governo cumpra com o acordo.
Os transportadores rodoviários estão apreensivos com a implementação dos novos passes únicos na Área Metropolitana de Lisboa (AML), que entram em circulação a 1 de abril. A Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Passageiros (ANTROP) está preocupada com o curto período de adaptação ao novo sistema e com a sustentabilidade financeira dos operadores a partir do próximo mês.
O Governo e os autarcas dos municípios da AML assinaram esta manhã os contratos para o passe único nos 18 concelhos da região lisboeta. Com a chegada do passe único terminam as centenas de títulos combinados que existem atualmente para a utilização dos transportes coletivos e permancem apenas duas configurações: o Navegante Municipal, que custará 30 euros e permite deslocações dentro de cada concelho, e o Navegante Metropolitano, que custará 40 euros e permite viagens nos meios de transporte públicos em toda a área metropolitana.
De acordo com os últimos dados, as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e as 21 Comunidades Intermunicipais (CIM) vão receber 104 milhões de euros do Fundo Ambiental, através do Orçamento do Estado (OE), para incentivarem o uso dos transportes coletivos, e irão comparticipar este programa com um total de 2,6 milhões de euros. Com o aumento dos descontos aos utilizadores, a Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Passageiros lembra que as receitas dos operadores vão "reduzir drasticamente" já a partir do próximo mês e, por isso, Luís Cabaço Martins, presidente da ANTROP, deixa um aviso ao Governo: os prazos de pagamento das compensações previstas terão de ser cumpridos para que a sustentabilidade económica das transportadoras não seja "colocada em risco". "Se os pagamentos não foram feitos atempadamente as empresas bloqueiam, ficam descapitalizadas e sem dinheiro para pagar aos trabalhadores", acrescenta.
Luís Cabaço Martins diz, ainda, que os transportadores não sabem como vão conseguir responder ao potencial aumento da procura por transportes públicos. "Os operadores têm meios no terreno e alguma disponibilidade, mas sobretudo nas horas de ponta a maioria dos transportes já vai cheio", afirma.
Os novos passes entram em vigor dentro de duas semanas e o presidente da ANTROP diz que o tempo de adaptação a esta nova realidade "é curto" e que as empresas "ainda não estão preparadas" para a chegada do novo passe único. "Os softwares dos equipamentos de bilhete estão a ser adaptados para estarem preparados para vender e validar os novos títulos de transporte. As pessoas têm de perceber que é necessário algum tempo de adaptação para que tudo funcione", garante.
Durante o mês de abril, Lisboa também vai ter um passe de transportes para assegurar a fase de transição para o novo sistema único. Em comunicado, a AML explica que o passe terá a validade de sete dias, "a vigorar após o termo do título deslizante e a comercializar a partir do dia 08 de abril de 2019 e até ao final desse mês".
