Trotinetes: operadores contestam referendo proposto pelo ACP
Os operadores de trotinetes partilhadas contestam a iniciativa do ACP e garantem estar disponíveis para reforçar a segurança e melhorar o uso do espaço público.
Operadores de trotinetes partilhadas criticaram a proposta do Automóvel Club de Portugal (ACP) de um referendo municipal em Lisboa quanto ao fim deste sistema de mobilidade suave, defendendo que tal não resolve o problema da insegurança rodoviária.
“A proposta apresentada pelo ACP associa um problema real a uma solução errada, deixando por resolver as verdadeiras causas da insegurança rodoviária, como a condução perigosa, as deficiências da infraestrutura e a necessidade de uma fiscalização mais eficaz”, afirmaram os operadores Bolt, Lime e Bird, numa declaração conjunta, em que contestam a proposta de proibir as trotinetes partilhadas na cidade de Lisboa.
ACP quer referendo sobre o futuro das trotinetes em Lisboa
Em causa está a iniciativa do ACP de tentar promover um referendo municipal em Lisboa sobre o futuro das trotinetes partilhadas, para que os lisboetas se possam pronunciar, respondendo ‘sim’ ou ‘não’ à questão: “Concorda que o município de Lisboa deixe de autorizar a exploração de sistemas de partilha de trotinetes elétricas no domínio público municipal após o termo das autorizações atualmente em vigor?”.
“Porque é uma questão divisiva - para uns as trotinetes elétricas partilhadas são problema, para outros solução. Queremos que sejam os lisboetas a escolher como circular nas ruas de Lisboa”, salientou o ACP, referindo que este tema afeta diretamente a segurança, a mobilidade, o espaço público e a qualidade de vida de todos os lisboetas.
Apresentada esta semana, a proposta do ACP será dirigida à Assembleia Municipal de Lisboa, mas ainda decorre o processo de recolha assinaturas de cidadãos maiores de 18 anos recenseados na capital, sendo necessárias 5.000 assinaturas válidas para que o referendo seja convocado.
Operadores dizem que proibição não resolve insegurança
Contestando a iniciativa, os operadores de trotinetes partilhadas Bolt, Lime e Bird afirmaram que “melhorar a segurança rodoviária em Lisboa exige medidas dirigidas a todas as verdadeiras fontes de risco na estrada, e não a eliminação da frota mais regulada e segura da cidade”.
Respeitando os processos democráticos e acolhendo “com satisfação” um debate público sobre a mobilidade em Lisboa, os operadores indicaram que os lisboetas têm razão em exigir ruas mais seguras, passeios desimpedidos e uma fiscalização eficaz, no entanto, avisaram que “proibir as trotinetes partilhadas não resolveria, de forma alguma, os desafios da segurança rodoviária na cidade”.
Neste âmbito, os operadores realçaram os dados da PSP, com o registo de 623 acidentes envolvendo bicicletas e trotinetes elétricas nas áreas de atuação da PSP durante os primeiros quatro meses de 2025, “o que representa apenas 3,6% dos 17.538 acidentes registados nesse período, sem qualquer vítima mortal”.
Ressalvando que esses dados agregam bicicletas e trotinetes elétricas, veículos privados e partilhados, bem como informação de âmbito nacional, sem qualquer desagregação específica para Lisboa ou para os operadores de mobilidade partilhada, a Bolt, Lime e Bird consideraram que, ainda assim, “são suficientes para demonstrar que as principais causas da sinistralidade rodoviária estão longe de se encontrar na micromobilidade partilhada, um setor que opera sob autorizações, requisitos de seguro, limites de velocidade, regras de estacionamento e mecanismos de controlo através de ‘geofencing’”.
Bolt, Lime e Bird defendem mais fiscalização e controlo
Por isso, os operadores consideraram que os lisboetas não devem ser obrigados a escolher entre manter a situação atual ou avançar para “uma proibição generalizada que atua sobre a causa errada do problema”, e asseguraram que continuarão “totalmente empenhados” em investir em serviços de trotinetes que contribuam para uma cidade com menos acidentes, passeios mais seguros e uma melhor gestão do espaço público para todos.
“Estamos preparados para ir mais longe, reforçando a fiscalização, investindo em infraestrutura de estacionamento dedicada, expandindo zonas de velocidade reduzida através de ‘geofencing’ e definindo limites de frota em articulação com o município”, asseguraram, defendendo que estas são medidas que reduzem efetivamente o risco, porque “uma proibição apenas o desloca”.
