Trump apela ao boicote aos concertos de Bruce Springsteen

Presidente diz que músico "se parece com uma ameixa seca" e que "é um falhado".

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apelou aos apoiantes do MAGA [Make America Great Again] para boicotarem os concertos da presente digressão americana de Bruce Springsteen, que considera serem “péssimos” e de terem preços de bilhetes “inflacionados”.

As críticas e insultos de Trump a Bruce Springsteen foram publicados num post da sua rede social Truth. O Presidente norte-americano escreve que o músico é "um cantor péssimo e muito aborrecido, que se parece com uma ameixa seca que resulta do trabalho de um cirurgião plástico incompetente. Há muito que ele sofre de um caso horrível e incurável de Síndrome de Perturbação Obsessiva" por Trump. 

A digressão norte-americana de Bruce Springsteen & The E Street Band, “Land of Hope and Dreams American”, tem tido vários discursos fortes em defesa da democracia e da paz por parte do músico, no atual contexto político dominado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que crítica.

Trump, em resposta, tenta deitar abaixo Bruce Springsteen: “o tipo é um completo falhado que destila ódio contra um Presidente que ganhou as eleições com uma margem esmagadora”

Às escuras, para a solenidade do momento, Bruce Springsteen entrou em palco no concerto em Minneapolis, afirmando: "Quero iniciar a noite com uma oração pelos nossos homens e mulheres no estrangeiro. Rezamos pelo seu regresso em segurança", disse, em homenagem aos soldados. "Nesta noite, pedimos a todos vós que se unam a nós na escolha da esperança em vez do medo, da democracia em vez do autoritarismo, do Estado de Direito em vez da ilegalidade, da ética em vez da corrupção desenfreada, da resistência em vez da complacência, da união em vez da divisão e da paz em vez da…”, e de repente irrompe o grito coletivo de “War”, a famosa versão de Bruce Springsteen & The E Street Band do clássico pela paz dos Temptations, ‘War’.

A cidade escolhida para o início da digressão, a cidade de Minneapolis, não foi ao acaso. Foi onde aconteceram os assassinatos de dois cidadãos pelas brigadas do ICE [a polícia de controlo de fronteiras e de imigração que, durante a administração de Donald Trump, foi muito reforçada]. Bruce Springsteen enalteceu os protestos civis contra as intervenções musculadas contra os concidadãos. “A força e a solidariedade do povo de Minneapolis, do Minnesota, são uma inspiração para todo o país. A vossa força e o vosso empenho mostraram-nos que isto ainda é a América. E isto não ficará impune. Minnesota, vocês deram-nos esperança. Vocês deram-nos coragem. E para aqueles que deram as suas vidas — Renée Good, mãe de três filhos, brutalmente assassinada, e Alex Pretti, enfermeira da Administração de Veteranos, executada pelo ICE, baleada pelas costas e abandonada a morrer na rua sem sequer a decência do nosso governo sem lei investigar as suas mortes — a sua bravura, o seu sacrifício e os seus nomes não serão esquecidos”, repetindo o discurso que tivera dias antes no protesto “No Kings in America”, no estado do Minnesota. Bruce Springsteen tocou pela primeira vez com a sua E Street Band o tema ‘Streets of Minneapolis’.

Também não por acaso, Bruce Springsteen tocou já no encore uma versão de uma das maiores lendas musicais de Minneapolis, ‘Purple Rain’ de Prince. O Boss volta a esta versão dez anos depois. Esta parte da letra pode abrir a canção para mais sentido que só uma canção de amor: “You say you want a leader / But you can't seem to make up your mind / I think you better close it / And let me guide you to the purple rain”. O tema mereceu uma grande intervenção do coro da E Street Band (um quinteto vocal), além de vários solos de guitarra de Nils Lofgren e do convidado Tom Morello (guitarrita dos Rage Against the Machine e reconhecido ativista). Estiveram em palco quase vinte músicos, a contar também com a secção de metais. 

Outra versão escolhida a dedo, com cariz político, é o tema de fecho do concerto, ‘Chimes of Freedom’ de Bob Dylan, em que Bruce Springsteen canta estes versos: “Flashing for the warriors whose strength is not to fight / Flashing for the refugees on the unarmed road of flight / An' for each an' ev'ry underdog soldier in the night / An' we gazed upon the chimes of freedom flashing” [“Piscando os olhos para os guerreiros cuja força não é lutar / Piscando os olhos aos refugiados na estrada desarmada da fuga / E por cada soldado raso na noite / E contemplamos os sinos da liberdade a piscar”]. Antes deste canto pela liberdade, Bruce Springsteen lembrou as palavras finais de Renée Good: “As suas últimas palavras para a pessoa que a matou, para o homem que lhe tiraria a vida, foram: "Está bem, meu, não estou zangada contigo". Eu também não estou. Que Deus a abençoe. Esta noite, quando chegarem a casa, abracem os vossos entes queridos. E amanhã, façam como Renée fez: encontrem uma forma de agir de forma pacífica e incisiva para defender os ideais do nosso país. Como disse o grande líder dos direitos civis, John Lewis: ‘Saiam e causem problemas’. Digam alguma coisa, façam alguma coisa — cantem alguma coisa, por favor”.