Trump recusa abrandar IA, faz ameaças e diz que basta um presidente "forte e inteligente"

Num momento em que a ONU e líderes da indústria como Sam Altman, Elon Musk e Daroi Amodei alertam que é preciso abrandar antes de se perder o controlo dos sistemas, o presidente dos Estados Unidos diz que basta o próprio para manter tudo sob controlo.

Resumo IA

• O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que há uma "conspiração doentia" contra a Inteligência Artificial e rejeitou barreiras de segurança.

• O alto-comissário da ONU alertou que o desenvolvimento da IA pode ameaçar direitos fundamentais e causar riscos existenciais.

• Turk pediu uma resposta urgente dos Estados e empresas para regular a IA e proteger os direitos humanos.

Resumo feito por IA e revisto pela redação da Rádio Comercial

O presidente dos Estados Unidos diz que há uma "conspiração doentia" contra a Inteligência Artificial (IA), rejeitando "barreiras de segurança", e disse nas redes sociais que os "teóricos da conspiração, traidores e divulgadores de informações confidenciais" devem ter cuidado.

"O único controlo ou «barreiras de segurança» de que a IA precisa é um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (QI elevado!), e os EUA têm isso, e bastante! A Administração Trump impediu que as «pessoas» da IA fizessem «coisas» más, ou potencialmente más, como o Dario (da Anthropic!), que agora finge ser um «anjinho perfeito» — e vamos continuar a fazê-lo!", escreveu Donald Trump na Truth Social, a rede social de que é proprietário.

Na mesma publicação, Trump sublinha que o Governo norte-americano tem um "enorme poder CRIMINAL e REGULATÓRIO sobre estas empresas", antes de se referir ao que diz ser uma "conspiração DOENTIA contra a IA e os centros de dados". O republicano argumenta que o "único" beneficiário "é a China" e acrescenta que "QUEM GANHAR A IA, GANHA!".

"Estamos à frente da China e de todos os outros, e continuaremos assim. Teóricos da conspiração, traidores e divulgadores de informações confidenciais, CUIDEM-SE!", conclui.

ONU alerta para riscos 

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos alertou hoje que o rápido desenvolvimento da inteligência artificial (IA) está a colocar em risco direitos fundamentais, incluindo à vida, alimentação, privacidade, saúde e segurança.

"A atual corrida para uma IA cada vez mais potente representa um salto qualitativo em direção a maiores riscos existenciais para todos os aspetos das nossas vidas", afirmou Volker Turk, num comunicado em que defendeu uma resposta urgente dos Estados e das empresas tecnológicas, depois da ONU já ter pedido aos países para que regulem a IA.

O responsável da ONU destacou particularmente os riscos associados à chamada IA "agêntica", capaz de ir além dos sistemas convencionais e de tomar autonomamente decisões e executar planos para atingir um objetivo específico.

Segundo Turk, as falhas destes sistemas "poderão paralisar serviços essenciais, romper comunicações, desestabilizar infraestruturas críticas e atingir o próprio coração das instituições democráticas".

"Populações inteiras podiam ficar sem acesso a água, aquecimento ou serviços financeiros", avisou Turk.

O alto-comissário alertou igualmente para as consequências da utilização da tecnologia em conflitos, considerando que a IA "está já a acelerar o ritmo das guerras, a alargar o alcance e a corroer as salvaguardas que se interpõem entre nós e o lançamento de armas de destruição maciça".

CEOs alinhados 

As declarações surgem depois de responsáveis do setor tecnológico, entre os quais o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, o presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e o empresário Elon Musk terem defendido um abrandamento deliberado do desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados perante riscos como a eventual perda de controlo sobre os sistemas.

Turk defendeu que Estados e empresas devem mobilizar-se com urgência, através de fóruns multilaterais, para estabelecer uma governação da IA assente no direito internacional e na proteção dos direitos humanos.

"Nenhum país pode governar esta tecnologia sozinho, nenhuma empresa deve poder decidir por si própria que riscos o mundo deve aceitar, e nenhuma pessoa deve ser obrigada a abdicar dos seus direitos humanos em troca de promessas de progresso tecnológico", afirmou Turk.