Turismo de Cabo Verde encara ligação entre ilhas como prioridade
O país de 10 ilhas (nove habitadas) tem dificuldades crónicas em sustentar ligações domésticas aéreas e marítimas fiáveis
O secretário de Estado do Turismo de Cabo Verde disse hoje que a prioridade para o setor é a ligação entre as ilhas, para que os turistas possam circular pelo país.
“O nosso foco principal é a conetividade entre as ilhas para permitir que todo o fluxo que chega a estes dois pontos do país [Sal e Boa Vista, onde se concentram os hotéis] possa ser redistribuído”, referiu José Pimenta Lima, num painel sobre o tema durante o 2.º Fórum Empresarial da África Lusófona, que hoje termina, em Cabo Verde.
Voos low cost
O país de 10 ilhas (nove habitadas) tem dificuldades crónicas em sustentar ligações domésticas aéreas e marítimas fiáveis, com sucessivas promessas governamentais de resolução dos problemas.
Ao mesmo tempo, o governante defendeu a criação de “oferta para atrair turistas para outras ilhas”, até porque há cada vez mais visitantes fora de grupos pré-estabelecidos, com os seus próprios roteiros, com a expansão dos voos “low cost”.
Lima apontou a pesca desportiva como um exemplo que atrai visitantes com elevado poder económico.
A diversificação pelas ilhas é considerada crucial para distribuir o rendimento pelo arquipélago.
Cabo Verde aposta forte no turismo
“Cabo Verde quer mais turismo, mas também quer mais Cabo Verde no turismo”, disse o governante, numa alusão à ideia de que as receitas do setor devem beneficiar toda a população.
Pimenta Lima considerou ainda que o país está num “ponto de viragem” e que o turismo já não pode ser encarado apenas como atração de visitantes.
“O turismo não são pessoas, é um fluxo de consumo, dinheiro que está a circular”, referiu António Baptista, ministro da Economia.
Cabo Verde tem registado um crescimento do turismo (recorde de 1,25 milhões de hóspedes, em 2025), setor que representa 25% do produto interno bruto (PIB), mas as outras áreas de atividade não o conseguem acompanhar – como a agroindústria que ainda não consegue responder regularmente às necessidades dos hotéis.
“Hoje, o desafio é organizar o conteúdo local para que os produtores percebam o nível de qualidade” exigido, cabendo ao Estado dar incentivos, acrescentou.
Resorts nas Ilhas do Sal e Boa Vista
Para António Baptista, o objetivo é chegar a um “círculo virtuoso” da economia, em que o turismo contribui para os cofres do Estado através de impostos diretos, “mas também para o bolso do trabalhador, que chega ao bairro e compra outros produtos”.
Pelo meio, com o crescimento do turismo, “a pressão é enorme” por infraestruturas e mão-de-obra, sobretudo nas ilhas do Sal e Boa Vista que concentram os “resorts” e a maioria dos visitantes.
Pimenta Lima anunciou que o Governo está a preparar programas de habitação para trabalhadores do setor oriundos de outras ilhas, bem como reforços no abastecimento de água e energia, porque “daqui a pouco tempo poderão ser insuficientes”.
Os dois membros do Governo apontaram as parcerias público-privadas como uma das formas de financiar os investimentos.
“A colaboração público-privada em Cabo Verde funciona, em Espanha não funciona”, disse Albert Pascual, diretor de Relações Institucionais do Grupo RIU de hotéis e resorts.
Fórum Investimento na Ilha do Sal
As infraestruturas são um dos quatro pilares que, segundo referiu, justificam o investimento da marca no arquipélago, a par da localização, cultura e segurança (institucional e política).
O Fórum de Investimento da África Lusófona que arrancou na segunda-feira e termina hoje, na ilha do Sal, é promovido pela IFC, membro do Grupo Banco Mundial dedicado ao setor privado.
Segundo números atualizados da IFC, nos últimos cinco anos a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) em 10 projetos nos países africanos de língua portuguesa.
