Eclipse: Turistas em Rio de Onor disparam vendas de artesanato

Bernardino Preto, com 92 anos, transformou o seu café num espaço onde vende agora artesanato.

A venda de artesanato disparou em Rio de Onor, Bragança, devido ao eclipse, que atraiu centenas de visitantes à aldeia transfronteiriça, onde hoje vai ser vista ao final da tarde a cobertura total do Sol pela Lua.

Em Portugal, o eclipse total do Sol pode ser visto apenas nas aldeias de Rio de Onor e Guadramil, atraindo visitantes de vários pontos do país e contribuindo para a venda de artesanato.

Pedro Fernandes, artesão desde 2016, tem um ateliê de portas abertas nesta aldeia que, durante o ano, tem pouco mais de 40 habitantes. Com a ‘febre’ do eclipse, aquele que já seria um mês de agosto bom de vendas ultrapassou as expectativas.

“A afluência tem sido fora do normal para um mês de agosto, porque, para além do movimento que tem no mês de agosto, com esta situação do eclipse houve um aumento bastante considerável de gente, de movimento e de carros a passar, [que] não é normal nesta altura. (…) As vendas também subiram bastante [mais] do que é a média”, adiantou à Lusa o artesão, enquanto trabalhava uma peça de lousa.

Na sua banca é possível encontrar peças em madeira, como a vara da justiça, que remonta à tradição comunitária de Rio de Onor, mas também peças de lousa com imagens e os ímanes. 

“Normalmente o que as pessoas procuram mais são os ímanes, que é para pôr no frigorífico, uma recordação da aldeia, depois há gente que já se interessa mais pelas tradições, procuram as varas da justiça, as ferraduras ou as coisas mais tradicionais destas aldeias”, contou.

Devido à afluência, Pedro Fernandes admitiu que nem terá oportunidade para ver o eclipse. “Eu gosto de ver [turismo], é muito positivo, mas com um certo peso e medida, não demais, porque depois torna-se cansativo também”, referiu.

Uns metros mais à frente, já do outro lado da ponte, está sentado numa cadeira Bernardino Preto. O idoso, com 92 anos, transformou o seu café num espaço onde vende agora artesanato. Há cerca de 20 anos que faz máscaras, mas também porta-chaves, navalhas, entre muitas peças.

“Ontem [terça-feira] vendi muita coisa. Ontem [esteve aqui] muita gente”, afirmou, adiantando que o que vende mais são máscaras dos Caretos.

Entre risos, o artesão admitiu que gosta dos turistas, porque dão muita alegria à aldeia e dinamizam o negócio. “Vê-se pessoal, amigos também. Sempre se vê muita gente. Muita gente passa por cá”, disse.

O idoso lembra-se bem dos tempos em que a aldeia tinha muita “rapaziada”, com as hortas comunitárias todas trabalhadas e com espanhóis que vinham até ao seu café “beber cerveja”.

Agora restam alguns moradores, filhos da terra que regressam ao fim de semana ou nas férias, e os turistas para ver o eclipse, mas que também aparecem ao longo de todo o ano.

“Há muita gente por aí. Há muita gente no parque de campismo [da aldeia]”, frisou.

O parque de campismo de Rio de Onor está esgotado há várias semanas por pessoas de vários cantos do país que vieram de propósito para ver o eclipse total.

Portugal vai testemunhar um eclipse total do Sol, embora só numa pequena zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança.

Nesta zona – Rio de Onor e Guadramil -, o fenómeno, que já não sucedia em Portugal desde 1912, terá a duração aproximada de 26 segundos.

No restante território nacional, o eclipse será parcial, variando a percentagem de ocultação do Sol entre 92% e 99% no continente e entre 74% e 77% nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Além de Portugal, onde estão previstas sessões de observação um pouco por todo o país, este eclipse será visível, se as condições de observação do céu o permitirem, numa faixa que atravessa o Ártico, a Gronelândia, a Islândia e Espanha.

   O próximo eclipse total do Sol em Portugal será só em 2144.