U2 editam EP surpresa com "canções que estavam impacientes para serem lançadas ao mundo"
"Days Of Ash", composto por cinco canções e um poema, é um manifesto pela paz - mais do que um EP.
Os U2 editaram esta quarta-feira (18 de fevereiro) "Days Of Ash" – um EP, composto por cinco canções e um poema, que chegou sem aviso prévio.
O EP – que antecede o novo álbum que deverá ser editado no final do ano – chega com as faixas 'Tears Of Things', 'Song Of The Future', 'Wildpeace', 'One Life At A Time', 'Yours Eternally’ (canção que conta com a participação de Ed Sheeran e Taras Topolia) e ‘American Obituary’ – faixa que foca os recentes acontecimentos em Minneapolis, no Minnesota, nos Estados Unidos, em que duas pessoas morreram nas mãos do ICE (serviços de imigração norte-americanos). O tema relembra Renée Good que foi morta a 7 de janeiro.
Segundo o comunicado enviado à imprensa, o EP foi criado como "uma resposta aos eventos atuais e inspirado nas pessoas extraordinárias e corajosas que lutam na linha de frente pela liberdade. Quatro das cinco faixas são sobre indivíduos – uma mãe, um pai, uma adolescente – cujas vidas foram brutalmente interrompidas. Um soldado que preferiria estar a cantar mas está pronto para morrer pela liberdade do seu país".
'The Tears Of Things' fala sobre como, através dos escritos de profetas judeus, "se pode viver com compaixão em tempos de violência e desespero. A letra imagina uma conversa entre o David de Miguel Ângelo e o seu criador, sendo que o primeiro rejeita a ideia de que precisa de se tornar num Golias para derrotá-lo".
'Song of the Future' celebra a vida da iraniana Sarina Esmailzadeh, de 16 anos, e de “milhares de alunas iranianas" que protestaram durante os protestos "Woman, Life, Freedom" que aconteceram no Irão em 2022. "Os protestos foram desencadeados pela morte de Jina Mahsa Amini, uma jovem curdo-iraniana que morreu em Teerão a 16 de setembro daquele ano, devido a ferimentos sofridos após a sua detenção pela chamada ‘polícia da moralidade’, por não usar um hijab de acordo com as normas governamentais. Sete dias depois, Sarina foi espancada pelas forças de segurança iranianas e morreu devido aos ferimentos, com o regime a alegar que ela se suicidou. A canção pretende capturar o espírito livre de Sarina, a promessa e a esperança da sua curta vida", diz a nota de imprensa.
'Wildpeace' é um poema, do autor israelita Yehuda Amichai, declamado pela artista nigeriana Adeola, das Les Amazones d'Afrique, com música dos U2 e Jacknife Lee.
'One Life At a Time' é sobre um pai e professor palestiniano, Awdah Hathaleen, que, no ano passado, foi assassinado na Cisjordânia por um israelita de um colonato judeu. "Ativista não violento e professor de inglês, Awdah foi morto na sua aldeia na Cisjordânia pelo colono israelita Yinon Levi, a 28 de julho de 2025. Awdah foi consultor do documentário vencedor do Óscar, 'No Other Land', realizado por palestinianos e israelitas. No seu funeral, um dos realizadores, Basel Adra, falou do assassinato do seu amigo e da experiência dos palestinianos serem apagados 'uma vida de cada vez'. Os U2 pegaram nessa frase e deram-lhe um novo sentido, sugerindo que uma resolução pacífica será alcançada 'uma vida de cada vez'", acrescenta a nota.
'Yours Eternally' convida Ed Sheeran e Taras Topolia, um cantor ucraniano que se tornou soldado devido à guerra. A canção é uma carta escrita por um soldado enquanto está a cumprir a sua missão e chega com um curto documentário, realizado pelo ucraniano Ilya Mikhaylus, que será partilhado com o mundo a 24 de fevereiro.
"Na primavera de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Bono e The Edge viajaram para Kiev para tocar numa estação de metro a convite do presidente Zelensky. Alguns dias antes, Ed colocou Taras Topolia e, por extensão, a sua banda Antytila, em contacto com Bono. Bono, Taras e The Edge encontraram-se pela primeira vez naquela plataforma de metro e são amigos desde então. Taras é a inspiração para 'Yours Eternally', uma canção escrita na forma de uma carta de um soldado com um espírito ousado que combina com o da Ucrânia".
"Foi muito emocionante voltarmos a estar os quatro juntos no estúdio ao longo do último ano", diz Bono também em comunicado. As músicas de 'Days of Ash' são muito diferentes em matéria de disposição e de temas em relação ao álbum que vamos lançar mais tarde este ano. Estas faixas do EP não podiam esperar. As músicas estavam impacientes para serem lançadas ao mundo. São canções de desafio, consternação e lamentação", acrescenta o vocalista do grupo.
"As canções de celebração virão depois. Estamos a trabalhar agora nessas canções porque, apesar de toda a maldade que vemos normalizada diariamente nos nossos pequenos ecrãs, não há nada de normal nestes tempos loucos que estamos a viver. Precisamos de lhes fazer frente antes de podermos voltar a ter fé no futuro. E fé uns nos outros", acrescenta Bono. "Se temos a oportunidade de ter esperança, então é um dever é uma frase roubada a Lea Ypi [escritora albanesa]. Uma gargalhada também seria bom", diz ainda o músico irlandês.
"Acreditamos num mundo onde as fronteiras não são apagadas pela força. Onde a cultura, a língua e a memória não são silenciadas pelo medo. Onde a dignidade de um povo não é negociável. Esta convicção não é temporária. Não é uma moda política. É o chão que pisamos. E estamos todos juntos nesse chão", diz The Edge.
Larry Mullen Jr. diz: "quem é que precisa de ouvir um novo disco nosso? Depende apenas se estamos a fazer música que sentimos merecer ser ouvida. Acredito que estas novas canções estão ao nível do nosso melhor trabalho. Falamos muito sobre quando lançar novos temas. Nem sempre sabemos… a forma como o mundo está agora parece o momento certo. Desde os nossos primeiros dias, a trabalhar com a Amnistia ou com a Greenpeace, nunca nos esquivámos a tomar uma posição e, às vezes, isso pode tornar-se um pouco complicado, há sempre algum tipo de reação, mas isso é uma grande parte do que somos e da razão pela qual ainda existimos."
Adam Clayton complementa: "estou entusiasmado com estas novas canções, parece que estão a chegar no momento certo."
"O lançamento do EP 'U2 - Days of Ash' é acompanhado pelo regresso da revista 'Propaganda' com uma edição digital única, de tiragem limitada. Há quarenta anos, em fevereiro de 1986, a primeira edição da 'Propaganda' chegou às caixas de correio dos fãs do U2 em todo o mundo. Com o objetivo de se equiparar a outras fanzines da época, a 'Propaganda' nasceu da cultura punk DIY que abraçava atitudes, ideias e diálogos. No espírito dessas primeiras edições, o EP será acompanhado pela edição 'U2 - Days Of Ash: Six Postcards From The Present… Wish We Weren't Here'. A publicação especial, de 52 páginas, inclui entrevistas exclusivas com o realizador do mini-documentário de 'Yours Eternally' e o produtor cinematográfico Pyotr Verzilov, bem como com o músico e soldado Taras Topolia. Também inclui as letras das músicas, notas dos quatro membros da banda e uma entrevista com Bono", acrescenta o comunicado.
Alinhamento:
1. 'American Obituary'
2. 'The Tears of Things'
3. 'Song of The Future'
4. 'Wildpeace' - de Yehuda Amichai, lido por Adeola e música por U2 e Jacknife Lee
5. 'One Life At A Time'
6. Yours Eternally (ft. Ed Sheeran & Taras Topolia)
