Ucrânia: Putin reconhece independência de territórios separatistas
A decisão provoca um curto-circuito no processo de paz resultante dos acordos de Minsk de 2015.
O Presidente da Rússia anunciou esta segunda-feira o reconhecimento da independência das autoproclamadas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia.
Vladimir Putin diz que os políticos ucranianos escolheram “a violência” e, por isso, anuncia "uma decisão que já devia ter tomado: reconhecer a independência das repúblicas independentes de Donetsk e Lugansk".
Na reação, a presidente da Comissão Europeia diz que "o reconhecimento dos dois territórios separatistas na Ucrânia é uma flagrante violação do Direito Internacional, da integridade territorial da Ucrânia e dos acordos de Minsk".
Ursula Von der Leyen avisa que "a União Europeia e os seus parceiros vão reagir com unidade, firmeza e com determinação em solidariedade com a Ucrânia".
The recognition of the two separatist territories in #Ukraine is a blatant violation of international law, the territorial integrity of Ukraine and the #Minsk agreements.
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) February 21, 2022
The EU and its partners will react with unity, firmness and with determination in solidarity with Ukraine.
O reconhecimento de independência, por parte de Moscovo, diz respeito à independência de dois territórios pró-russos do Donbass ucraniano, que se autoproclamaram repúblicas, Donetsk e Lugansk, onde decorre um conflito há oito anos que já provocou mais de 14 mil mortes.
A decisão de Putin provoca um curto-circuito no processo de paz resultante dos acordos de Minsk de 2015, assinados pela Rússia e pela Ucrânia, sob mediação franco-alemã, já que estes visavam, precisamente, um regresso dos territórios à soberania ucraniana.
Este reconhecimento de independência também pode abrir caminho a um pedido de assistência militar à Rússia por parte desses territórios, conduzindo à entrada justificada de forças russas nessas regiões, dando razão aos países ocidentais que acusam Moscovo de estar a preparar uma invasão da Ucrânia, junto a cujas fronteiras já posicionaram mais de 150.000 soldados.
