"UE tem de ser mais dura com Trump", defende Jonet
Comentador de política internacional sugere que a Europa seja repensada na política de segurança e defesa.
A União Europeia tem de ser mais firme em relação a Donald Trump, tal como mostrou agora na questão da Gronelândia. Defende o comentador de política internacional, João Maria Jonet. Também que a Europa tem de ser repensada, nomeadamente na política de segurança e defesa.
Para Jonet, o presidente dos Estados Unidos responde melhor a uma postura mais dura da União Europeia e esse deve ser o caminho dos 27. [A UE] "Foi mais dura no tema Gronelândia do que foi no tema das tarifas em abril - e acabou por pagar um preço por isso, por ter tentado negociar muito rápido. Trump responde à força e pouco mais. E a ideia que ele tem é que a União Europeia é que é fraca. A partir do momento em que se enviam tropas, mesmo que poucas, está-se a combater um pouco essa percepção".
Para evitar interferências e iniciativas como as de Trump, o especialista defende que seja repensada a politica de segurança e defesa europeias e que a Europa tenha "várias velocidades" para respondee efetiva e eficazmente aos desafios externos. "A Europa tomou uma decisão muito dura quando decidiu apoiar a Ucrânia com um pacote de 90 mil milhões de euros. Podia ter tomado uma decisão ainda mais forte na questão dos ativos russos e, às vezes, é importante que os estados membros deem mais garantias uns aos outros e que os que não derem sejam um pouco afastados da conversa e convidados para a próxima, porque os tempos são demasiado urgentes para estar à procura de unanimidades. Enquanto a União Europeia não perceber isso e enquanto não perceber também que os timings no Parlamento Europeu e os timings políticos também têm que reagir mais rapidamente à necessidade de nos afirmarmos, Donald Trump vai ficar sempre a achar que fala com um interlocutor que demora semanas a responder e, portanto, um interlocutor fraco e sem autoridade".
Sobre a questão da Gronelândia, João Maria Jonet já vê o "assunto praticamente arrumado" e muito por causa da ignorância de Trump. "É pessoa mais ignorante de sempre a ocupar o cargo e neste segundo mandato tem o problema extra de não estar rodeado de pessoas que não sejam ignorantes também. Havia aqui questões relacionadas com a Groenlândia que bastava explicar que já estavam salvaguardadas, nomeadamente a liberdade dos Estados Unidos poderem ter uma base onde quiserem desde 1951, para Donald Trump perceber que o que estava a pedir não fazia sentido nenhum".
Para Jonet, agora, essa explicação tem que vir mais da NATO e do seu secretário-geral, Mark Rutte, do que da União Europeia, que tem só que reagir à defesa dos seus estados membros. Ainda assim "foi um aviso também para a Groenlândia para se calhar considerar juntar-se novamente à União Europeia. As garantias do ponto de vista de defesa seriam outras", conclui.
