Um Brasil "dividido" entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro

A primeira volta das eleições acontece no próximo domingo, dia 4 de outubro.

Os eleitores brasileiros vão escolher no próximo domingo o novo Presidente da República, mas a decisão pode não ficar fechada na primeira volta. Há 13 candidatos na corrida a chefe de Estado. Lula da Silva tem ligeira vantagem, mas o país está muito dividido entre o atual Presidente e Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro.

"O presidente Lula tem, como a gente diz no Brasil, a máquina na mão. Ele é o presidente e tenta a reeleição. (…) Mas a gente vê um país muito dividido. O Nordeste do Brasil vai votar maioritariamente a favor de Lula, com uma vantagem muito, mas muito grande mesmo em relação ao Flávio Bolsonaro. Só que quando a gente olha para o cenário do Sul do Brasil e algumas regiões do Sudeste do Brasil, é exatamente o contrário. Flávio Bolsonaro é quem tem uma vantagem sobre Lula no Sul do país. Então é um país dividido nesse momento", diz Raphael Thebas, jornalista da rádio TMC no Brasil, em entrevista à nossa redação.

Por isso, "é pouco provável" que o próximo Presidente da República seja eleito já este domingo.

"Nós temos dois candidatos com intenção de voto muito grande, segundo as pesquisas, Lula e Flávio, e outros candidatos com 5, 4, 3%. São eles: Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. Em tese, falta pouco para Lula ou para Flávio alcançarem os 50%. O problema é que são poucos votos em disputa neste momento. Então, ao que tudo indica, nós teremos um segundo turno", que a confirmar-se será realizado no dia 25 de outubro.

Temas ausentes da campanha

Quanto aos temas em debate, diz Raphael Thebas, têm passado ao lado das verdadeiras preocupações dos brasileiros.

"Propostas sobre economia, educação, segurança pública, a gente quase não vê. O que a gente vê são as denúncias de corrupção, que claro, têm que ser divulgadas mesmo, mas tudo acontece menos a discussão sobre as propostas. E é nesse clima que o Brasil chega às urnas pra esse próximo domingo."

O jornalista brasileiro da TMC nota que esta eleição tem "uma característica interessante que é o protagonismo do Supremo Tribunal Federal. Ao longo de todo o processo eleitoral, a gente observou o STF proferindo várias decisões que acabaram tomando conta do noticiário. Em vários momentos, as propostas dos candidatos, não apenas Lula e Flávio Bolsonaro, de todos os candidatos, elas ficaram em segundo, em terceiro plano. Isto é algo muito chamativo nessa eleição."

Interesse internacional

As eleições no Brasil têm motivado o interesse externo, sobretudo dos EUA, mas Raphael Tebas não vê sinais de interferência norte-americana no ato eleitoral.

"Aqui no Brasil houve em algum momento por parte da campanha do Lula, eu cheguei a conversar com algumas pessoas ligadas à campanha de Lula, uma preocupação sobre uma interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral, de alguma forma, por meio das redes sociais, da internet. Isso, até agora, não parece ter acontecido."

Mas uma coisa é certa, "uma das pautas da eleição é justamente a relação do Brasil com os Estados Unidos, com Donald Trump, por conta das tarifas, que foram impostas, no campo económico nos últimos tempos aqui no Brasil. O presidente Lula faz críticas a Donald Trump eventualmente, mas ao mesmo tempo, ele tem uma postura de caminhar para uma boa relação com os EUA sempre que pode. Enquanto Flávio Bolsonaro costuma adotar um discurso de elogios, até exagerados, talvez, ao governo de Donald Trump".

Votação no Brasil e Portugal

Mais de 158 milhões de eleitores são chamados a votar nas eleições do próximo domingo no Brasil para escolher o Presidente da República, Governadores, deputados e senadores.

Em Portugal, estão inscritos quase 135 mil eleitores, mas só podem votar na eleição para a Presidência da República. As votações decorrem em Lisboa, Porto e Faro.