Uma Celine Dion grandiosa fechou a cerimónia também grandiosa que abriu os Jogos Olímpicos de Paris

Cerimónia histórica e memorável que começou no rio Sena e terminou com um hino ao amor, pela voz de Celine Dion, na Torre Eiffel.

Os Jogos Olímpicos de Paris arrancaram oficialmente ao final da tarde desta sexta-feira com o desfile, pelo rio Sena, das comitivas dos países que vão competir e com diversos momentos musicais que celebraram a diversidade da cultura francesa e não só. Celebraram a diversidade do mundo no centro da "cidade do amor". Celine Dion fechou a cerimónia com alma e coragem olímpica. Mas já lá vamos.

Houve também uma versão de 'Imagine', de John Lennon, que apelou à paz. "Defendemos e pedimos a paz", foi a frase que acompanhou a interpretação de Juliette Armanet com Sofian Pamart num piano em chamas. A dupla atuou, serenamente, num barco já depois de cair a noite em Paris. A mensagem de paz e de união dos povos esteve presente noutros momentos da cerimónia, incluindo no discurso de Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional, que também citou a canção intemporal de Lennon. "Alguns podem dizer que, nós no mundo Olímpico, somos sonhadores. Mas não somos os únicos", disse. "Olímpicos de todo o globo mostram-nos a grandeza de que os humanos são capazes".

A voz de Celine Dion, a soar grandiosa na Torre Eiffel, foi um dos grandes momentos da cerimónia e ganhará, certamente, o estatuto de histórica. Dion, que apareceu vestida de branco, cantou, com a voz segura, forte e suprema, 'Hymne A L'Amour', de Edith Piaf, um dos símbolos maiores da cultura francesa. Paris silenciou-se para escutá-la.

Foi o regresso emotivo da cantora canadiana aos palcos depois de ter sido diagnosticada com Síndrome de Pessoa Rígida - doença neurológica que em 2021 levou ao cancelamento da fatia europeia da digressão "Courage World Tour" e que a incapacitou durante algum tempo, chegando a impedi-la de cantar. 

Lady Gaga foi a primeira a atuar numa escadaria na margem do rio parisiense. Depois de gritar, "boa noite e bem-vindos a Paris", em francês, a cantora norte-americana interpretou 'Mon Truc en Plumes', da francesa Zizi Jeanmaire, numa apresentação a lembrar o cabaré francês. "Sinto-me tão grata por ter sido convidada para abrir os Jogos Olímpicos de Paris 2024", escreveu nas redes sociais. 

Lady Gaga escreveu ainda que escolheu uma “canção para honrar os parisienses, bem como a história da arte, da música e do teatro".

"Queria criar uma performance que pudesse aquecer o coração da França, que celebrasse a arte e a música francesa e que esta grandiosa ocasião lembrasse toda a gente que Paris é uma das cidades mais mágicas do mundo", acrescentou. 

Axelle Saint-Cirel cantou A Marselhesa, o hino francês, acompanhada por cerca de 30 vozes femininas. O momento serviu para homenagear mulheres francesas que, ao longo da História, lutaram pelos direitos das mulheres. Foram homenageadas Olympe de Gouges, Alice Milliat, Gisèle Halimi, Simone de Beauvoir, Paulette Nardal, Jeanne Barret, Louise Michel, Christine de Pizan, Alice Guy e Simone Veil.


Aya Nakamura, nascida no Mali e criada em França, e os franceses Gojira, a primeira banda de música metal a atuar numa cerimónia dos Jogos Olímpicos, também atuaram junto ao Sena. Os Gojira ao lado da cantora de ópera Marina Viotti.

A cerimónia, que durou quase quatro horas e que teve a companhia da chuva, foi a primeira a acontecer fora de um estádio olímpico, no coração de uma cidade.

Os Jogos Olímpicos de Paris vão decorrer até ao dia 11 de agosto. Perto de 11 mil atletas vão competir em 35 modalidades.