União Europeia "inundada" por brinquedos tóxicos chineses
Foram encontradas contaminações perigosas por ftalatos (composto químico para deixar plástico mais maleável e considerado cancerígeno) em crianças em 13 de 15 países analisados.
Os países da União Europeia estão a ser "inundados" por brinquedos tóxicos, a maioria de plástico e com origem na China, que estão a ameaçar a saúde das crianças, alerta um relatório hoje divulgado.
O documento é da responsabilidade do Gabinete Europeu do Ambiente (EEB), uma rede europeia de cerca de 150 organizações não-governamentais de ambiente, de mais de 30 países.
É referido que foram encontradas contaminações perigosas por ftalatos (composto químico para deixar plástico mais maleável e considerado cancerígeno) em crianças em 13 de 15 países analisados.
Tatiana Santos, responsável pela área de produtos químicos do Gabinete Europeu do Ambiente (EEB), explica que este aditivo químico é capaz de provocar malformações e problemas cognitivos.
Segundo os números divulgados pela organização, só este ano as autoridades nacionais bloquearam a venda de 248 modelos de brinquedos, por revelarem em testes níveis ilegais de produtos químicos tóxicos.
No inverno passado, as autoridades alfandegárias de quatro países fronteiriços da União Europeia já tinham anunciado que tinham sido feitas inspeções a 2,26 milhões de brinquedos de plástico chineses, na sequência das quais tinham impedido a entrada na Europa de 722.598 brinquedos, com níveis ilegais de ftalatos. Foram destruídos 31.590 brinquedos.
Tatiana Santos diz que é preciso um "controlo mais apertado" por parte dos governos e das autoridades competentes.
Dos brinquedos contaminados a grande maioria (92%) tinham a marca de segurança CE do fabricante, quer quer dizer que o brinquedo cumpre a legislação em vigor. Os produtos apreendidos, apesar de ostentarem a marca, não cumpriam a legislação europeia em termos de saúde, segurança e padrões ambientais.
Tatiana Santos diz, por isso, que é preciso obrigar os fabricantes a divulgarem a lista dos ingredientes químicos utilizados para a produção dos respetivos brinquedos.
A EEB lança hoje uma campanha de consciencialização para o problema, afirmando que é altura de as empresas deixarem de pôr produtos tóxicos nos brinquedos.
