Universidades de Portugal e Ucrânia criam formação conjunta e centro de investigação

O KAI foi fundado em 1933 vocacionado para a área da engenharia aeronáutica e hoje é uma das maiores universidades ucranianas.

Duas instituições de ensino superior portuguesas e uma universidade ucraniana anunciaram hoje a realização de cursos conjuntos para a comunidade em Portugal num instituto comum que inclui investigação em drones.

A Lisbon Business and Government School (LBGS), a Universidade Politécnica de Tomar (UPT) e do Kyiv Aviation Institute (KAI) (uma das principais universidades nacionais públicas da Ucrânia) acordaram a criação do Instituto para a Democracia e Resiliência, que contempla a formação em Portugal, com reconhecimento nos dois países, a par de criação de um centro de investigação, com foco em drones, que inclui a Câmara de Mafra.

“O Instituto para a Democracia foi concebido como uma plataforma de longo prazo para a educação, formação avançada, investigação científica, desenvolvimento tecnológico e cooperação internacional”, refere, em comunicado, o reitor da LBGS, Arnaldo Costeira, que assume a liderança do consórcio.

“No âmbito desta aliança estratégica, a LBGS vai assumir a realização de cursos para alunos ucranianos, e também diplomas conjuntos que terão reconhecimento nos dois países”, refere o instituto, em comunicado.

Do lado ucraniano, a formação será acompanhada pela Faculdade de Humanidades e Artes da KAI, com cursos com dupla titulação e na área da “comunicação e gestão de crise, gestão de catástrofes, proteção civil, combate à desinformação, deepfake e fake news”.

Já na área das tecnologias, engenharia e aeronáutica, a direção cabe à Faculdade de Aeronáutica, Eletrónica e Telecomunicações da Ucrânia e da UPT, através de João Patrício, pró Reitor para a Segurança da Informação.

Para a reitora do KAI, Ksenia Semenova, esta “iniciativa traduz um compromisso partilhado com o reforço da resiliência democrática e da capacidade tecnológica da Europa, num momento marcado por profundos desafios geopolíticos, digitais e de segurança”.

O KAI foi fundado em 1933 vocacionado para a área da engenharia aeronáutica e hoje é uma das maiores universidades ucranianas, com 11 faculdades, mais de 25 mil alunos e formações transversais.

O projeto em Portugal vai arrancar de imediato com dois cursos de licenciatura desta universidade, em ucraniano, o que “permitirá aos estudantes deslocados pelo contexto da guerra, estudar numa universidade do seu país e na sua língua, mas longe das ameaças”, num contributo que “entendemos fundamental, quando falamos de solidariedade ativa com a causa ucraniana”, referiu Arnaldo Costeira.

Já o Centro Internacional de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Tecnologias do Futuro e Drones será instalado no UPT em Tomar, com um polo de Inovação Tecnológica em Mafra.

“Este projeto vai promover a colaboração entre a academia, a indústria e as instituições públicas, apoiando o desenvolvimento de soluções inovadoras para aplicações civis, de segurança e de utilização dual”, refere o reitor da Universidade Politécnica de Tomar, João Freitas Coroado, na nota.

Já o presidente da Câmara de Mafra salientou que a entrada da autarquia no projeto “representa a evolução natural da relação académica” com a UPT, através da Academia de Ensino Superior de Mafra, e abre “sobretudo uma nova oportunidade de aproximar conhecimento, tecnologia e cooperação internacional do território”.

Na área da inovação, “uma das principais ambições” do instituto hoje anunciado é “tornar-se uma referência europeia no desenvolvimento e aplicação responsáveis de tecnologias emergentes, particularmente nos sistemas aéreos não tripulados [drones], inteligência artificial, cibersegurança e resiliência digital”, refere Arnaldo Costeira.

“Estamos conscientes que a Ucrânia se tornou uma potência de inovação e desenvolvimento nestes domínios, e quisemos fazer parte desta transformação”, acrescentou.