Universidades Politécnicas crescem 26% nas colocações e reclamam mais equilíbrio territorial no acesso ao ensino superior
Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) considera ser consequência direta das recentes alterações ao regime de acesso e da mudança de designação das instituições.
As universidades politécnicas registaram um crescimento de cerca de 26% no número de estudantes colocados na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, um resultado que o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Luís Loures, considera ser consequência direta das recentes alterações ao regime de acesso e da mudança de designação das instituições.
Em declarações à nossa Rádio, Luís Loures manifestou satisfação com os resultados alcançados, sublinhando que o aumento de colocações nas universidades politécnicas foi significativamente superior à média nacional.
“Comparado com o período homólogo, houve um crescimento de cerca de 26% ao nível dos colocados e isso é muito relevante”, afirmou.
Segundo o responsável, este crescimento resulta de duas medidas há muito defendidas pelo CCISP. A primeira foi a alteração do modelo de acesso ao ensino superior, que eliminou a obrigatoriedade de apresentação de duas provas específicas para determinados cursos.
“O ano passado acabou por ser um entrave a muitos jovens e a muitos estudantes para poderem ir para o ensino superior e este ano foi corrigido”, explicou.
A segunda mudança apontada por Luís Loures foi a adoção da designação de “universidade politécnica”, uma reivindicação antiga do setor.
“A designação de universidade é aquela que melhor corresponde ao ensino superior e que é utilizada de forma mais universal, seja a nível nacional ou internacional”, referiu, considerando que a alteração contribuiu para um maior reconhecimento destas instituições junto dos estudantes e das famílias.
Interior continua a perder na distribuição de vagas
Apesar dos resultados positivos, Luís Loures alerta para um problema estrutural que continua a marcar o ensino superior português que passa pela excessiva concentração de vagas em Lisboa e no Porto.
O presidente do CCISP rejeita a ideia de que as dificuldades de captação de estudantes pelas instituições do interior resultem de um estigma associado a essas regiões. Para o responsável, a questão está relacionada com a forma como as vagas são distribuídas a nível nacional.
“Este ano temos 56% das vagas em Lisboa e Porto. Não há paralelo em mais nenhum país da Europa de um valor tão desequilibrado”, criticou.
Luís Loures recorda que, além do desequilíbrio já existente, a maior parte das novas vagas criadas para este ano letivo voltou a ser atribuída às duas áreas metropolitanas.
“Aumentaram cerca de 1.400 vagas no ensino superior e 74% dessas vagas aconteceram em Lisboa e no Porto. Ou seja, já temos um desequilíbrio e estamos a contribuir para um desequilíbrio cada vez maior”, afirmou.
Cursos sem colocados nem sempre significam falta de procura
Perante os dados que mostram a existência de cursos sem qualquer estudante colocado, sobretudo em instituições do interior, Luís Loures considera que muitas vezes a análise pública destes números é feita de forma errada.
O dirigente explica que o Concurso Nacional de Acesso representa apenas uma das vias de entrada no ensino superior e que muitos cursos são direcionados para públicos específicos, como trabalhadores-estudantes.
“Temos vários cursos que, mesmo sendo obrigados a ir ao concurso nacional de acesso apresentar vagas, não é esse o público a quem se destinam”, explicou, dando como exemplo cursos pós-laborais em áreas como gestão, informática, serviço social ou agronomia.
Segundo Luís Loures, estes cursos acabam frequentemente por ser preenchidos através de concursos especiais ou de candidaturas locais, o que faz com que o número de colocados na primeira fase não reflita necessariamente a procura real.
Problema do alojamento agrava-se
O presidente do CCISP considera ainda que a concentração de vagas nos grandes centros urbanos contribui para agravar os problemas de alojamento estudantil.
“Estamos ainda no início da primeira fase e já vemos vários estudantes a dizer que não conseguem encontrar alojamento”, alertou.
Para Luís Loures, a solução não passa por aumentar o número de vagas no interior, mas sim por evitar que o desequilíbrio continue a crescer.
“Basta que não se promova, ano após ano, um desequilíbrio do número de vagas”, defendeu.
O responsável recorda que países como Espanha, Alemanha ou Holanda apresentam distribuições muito mais equilibradas entre as diferentes regiões, enquanto Portugal continua a concentrar mais de metade da oferta de ensino superior em apenas duas cidades.
“Não tem paralelo o desequilíbrio que existe em Portugal em mais nenhum país da Europa. Cinquenta e seis por cento das vagas estão em duas cidades”, concluiu.
