Vêm aí novas greves no Metro de Lisboa. Empresa vai pedir serviços mínimos
As duas greves parciais estão agendadas para os dias 28 e 30 de outubro.
Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (ML) vão cumprir duas greves parciais a 28 e 30 de outubro, segundo fonte sindical e da transportadora, que vai requerer a fixação de serviços mínimos ao Tribunal Arbitral.
“Relativamente a estes novos pré-avisos, o Metro de Lisboa irá igualmente [como fez na greve de quarta-feira] requerer ao Tribunal Arbitral a fixação de serviços mínimos, procurando minimizar os constrangimentos para os passageiros e assegurar, na medida do possível, a continuidade de um serviço público essencial à mobilidade da cidade”, refere a empresa em comunicado.
As organizações sindicais representativas dos trabalhadores apresentaram novos pré-avisos de greve parcial para os dias 28 e 30 de outubro, entre as 05:00 e as 10:00.
De acordo com Sara Gligó, dirigente da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) e do STRUP – Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, em causa estão as mesmas revindicações que estiveram na origem da greve de quarta-feira, dia 14 de outubro, que levou à suspensão da circulação por 24 horas.
Segundo a dirigente, em causa estão problemas persistentes no Posto de Comando Central (PCC) e nos Postos de Tracção.
A greve surge perante os incumprimentos e a falta de respostas concretas da administração da empresa desde a assinatura do acordo de 13 de abril de 2026”, referi.
Entre os problemas identificados pelos sindicatos estão a falta de trabalhadores no PCC e na Tração, o recurso excessivo a trabalho suplementar, a existência de turnos prolongados, atrasos na formação de encarregados e inspetores e o que consideram ser um esvaziamento das funções das chefias.
“Ao longo dos últimos meses, as estruturas sindicais mantiveram-se disponíveis para negociar, enviaram ofícios, solicitaram reuniões específicas sobre as chefias da DOP e analisaram documentos apresentados pela empresa. No entanto, consideram que as respostas foram insuficientes”, segundo a FECTRANS.
Hoje, em comunicado, a empresa lamentou os constrangimentos para os passageiros e reafirmou a disponibilidade para prosseguir o diálogo com as organizações sindicais.
No entanto, o Conselho de Administração considerou “desproporcional a realização de paralisações, atendendo ao impacto significativo que têm na vida dos passageiros e ao facto de se manterem abertas as possibilidades de diálogo e de estarem já em curso medidas concretas para responder às reivindicações apresentadas”.
“As matérias em discussão, relacionadas com a atividade de cerca de 100 trabalhadores, têm vindo a ser acompanhadas em reuniões com as organizações sindicais, nas quais o Conselho de Administração tem apresentado propostas que permitam aproximar posições e encontrar soluções equilibradas, com objetivos e prazos definidos”, é referido na nota.
A transportadora lembra que entre as medidas em desenvolvimento encontra-se o plano de recrutamento e formação, já em execução e com conclusão prevista para a segunda quinzena de dezembro de 2026.
“Foram igualmente apresentadas propostas de alteração dos horários, atualmente em processo de aprovação, e de melhoria da gestão das escalas de trabalho, procurando dar resposta a questões que se encontram em discussão desde 2019”, segundo o ML.
No que diz respeito a alegadas situações de assédio laboral por chefias do Posto de Comando Central, a empresa reafirmou que todas as questões desta natureza merecem a maior atenção e devem ser devidamente esclarecidas, mas indicou que até ao momento as alegações foram formuladas de modo genérico.
O Metropolitano de Lisboa opera diariamente com quatro linhas: Amarela (Rato-Odivelas), Verde (Telheiras-Cais do Sodré), Azul (Reboleira-Santa Apolónia) e Vermelha (Aeroporto-São Sebastião).
Normalmente, o metro funciona entre as 06:30 e a 01:00.
