Virgul: "procuro a sonoridade do próximo álbum e não apenas da próxima música"
Cantor dos Da Weasel fala de um single de 'Outro Planeta'. Mas África é o seu continente mental.
Virgul está em alta rotação, a viajar na máquina do tempo dos Da Weasel, mas em nome próprio está n’Outro Planeta, o nome do seu último single. Quando aterra, a sua cabeça está em África, mesmo que os pés possam estar no Velho Continente.
Na sua efervescência criativa, já borbulha o seu próximo álbum, previsto para o ano, e ainda a vontade de fazer novas músicas nos Da Weasel. Foi o que nos disse nesta entrevista.
És um cantor romântico?
Acho que sim. Apesar desta minha vida agitada, de ter tido muitas relações, acho que todas elas foram sempre muito especiais, precisamente por eu ser romântico, independentemente da duração do tempo. E isso depois acaba por se refletir nas minhas músicas. Por isso, acho que sim, a primeira grande canção que escrevi, e que ainda hoje é uma grande canção com os Da Weasel, é o Duía, que é um tema de amor, que, se calhar, já era um reflexo daquilo que sou.
Com este tema novo, ‘Outro Planeta’, será que vem aí novo álbum?
Sim, a ideia é exatamente essa. Daí que também tenha ficado tanto tempo sem lançar, porque não queria só procurar a sonoridade da próxima música, mas a sonoridade do meu próximo álbum. É o meu terceiro álbum solo e era importante deixar a procura de lado e ter um bocadinho mais certeza naquilo que vou fazer. Estou muito feliz por estar a voltar às minhas raízes africanas, mas também por haver esta onda gigantesca mundial de afro. A música é muito cíclica. A Nigéria também é muito responsável por isso [essa onda africana]. Estou-me a lembrar do Rema, do Burna Boy, que consumo muito hoje em dia. Andam a esgotar estádios pelo mundo, o que também me leva a seguir as minhas referências. Apesar de eu ser africano, nunca explorei devidamente o mercado africano, o mercado dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa]. Quero apostar mais em Angola, em Cabo Verde, em Moçambique, que são países que visito muito e onde tenho alguns fãs. Mas nunca semeei para isso. Foi sempre uma coisa muito natural.
O outro single que tinhas feito antes, ‘Elijah’, também está idealizado para o próximo álbum.
Sim, sim. O Elijah há de ser sempre o primeiro single deste disco.
O álbum está concluído?
Não, mas está muito adiantado. Mas ainda ando aqui a cozinhar mais um bocadinho.
Voltas a ter a colaboração do teu amigo Dino D’Santiago?
Eu gostava, nós temos falado muito e o Dino está numa fase mais calma, finalmente, porque as coisas têm estado a correr muito bem para ele. E, por acaso, no outro dia, estávamos ao telefone, porque nós somos amigos, eu sou padrinho até do filho dele, o Lucas, eu estava a dizer: “pá, está na hora de fazermos uma música juntos”.
Ainda está na gaveta uma possível reativação dos Nu Soul Family?
É difícil, mas eu gostava, até porque tenho estado a conversar muito mais com o produtor Alan Gul, e se calhar vamos reativar muito ao de leve, com participações, e não fazer as coisas os quatro, sem estar a atuar, mas mais a lançar coisas. Há tempo para tudo. E agora com a maturidade, tenho aprendido a gerir as coisas de forma a que haja realmente tempo para tudo, porque há tempo para tudo. Nós às vezes é que queremos fazer tudo e mais alguma coisa e depois depositamos esforços e energia onde não devemos.
Nesta nova música, 'Outro Planeta', contas com a colaboração do Gonzalo Tau. Esta colaboração é para continuar?
Sim, eu gostava muito. Normalmente quando gosto de trabalhar com alguém, não gosto de ficar só por uma música. Tanto o Gonzalo, como o Guerra. A energia em estúdio é incrível. O Guerra eu já o conhecia há algum tempo, aliás, ele participa numa das músicas do [álbum] “Júbilo”, o ‘Slide’. Já temos duas ou três coisas bem encaminhadas, por isso é para continuar.
O vídeo de 'Outro Planeta' tem um conceito futurista.
Eu sabia que a música deveria ter algo futurista, algo diferente do que se havia feito, mas não sabia como. O conceito é da Mariana da Bernarda e do realizador Carlos Marta. Quando a Bernarda me ligou e me falou da ideia, eu disse: “adoro”. Era isto, sabia que havia qualquer coisa, que devia ser assim, porque como falo no refrão, que ela é de outro planeta, queria que fosse algo diferente, algo futurista, mas não sabia como encaixar isso, até porque costumo participar imenso no conceito de vida, mas desta vez deixei-os completamente a viajar e a fazerem aquilo que estavam a pensar. Adorei trabalhar com o Carlos Marta e com a produtora Egotrip, grande equipa, muito profissionais sempre com vontade de fazer mais. Começámos por volta das 9 da noite a filmar, chegamos às 7 horas, makeup, preparação. Às 9 horas, começamos a filmar, acabamos às 7 da manhã do outro dia. Nunca tinha trabalhado assim, foi exaustivo, mas foi o resultado está à vista e é muito bom.
Quando é que os Da Weasel voltam a criar nova música?
Não sei. Há alguma vontade no ar, mas tem que haver uma conversa séria sobre isso. Acho que essa conversa só haverá após este ano terminar e depois de fazermos estes três concertos, um deles já concluído [faltam os espetáculos na Ribeira Grande, nos Açores, a 8 de agosto, e no festival Sudoeste, no Alentejo, a 10 de Agosto]. Tivemos a oportunidade de ir numa máquina do tempo que nos está a levar lá atrás e a ter os fãs antigos agora presentes connosco novamente. Acho que isto não acontece muitas vezes na vida. Estivemos na Madeira, no Summer Opening, que foi brutal, até porque a Madeira também nos diz imenso. E agora vamos aos Açores, depois o Sudoeste. (…) Respondendo à tua pergunta, queremos viver um dia de cada vez e queremos saborear as coisas. Depois, se naturalmente sentirmos que devemos fazer mais disto em estúdio, isso acontecerá naturalmente. Mas não queremos estar a pôr a carroça à frente dos bois. Vamos deixar as coisas fluírem naturalmente.
