Virgul: "tento uma alegria fora do normal"
Entrevista a propósito do novo álbum a solo "Júbilo".
Na sexta-feira passada, Virgul pôs cá fora um autêntico antidepressivo, o seu segundo álbum em nome próprio “Júbilo”, repleto de boas vibrações.
A dupla dos D'Alva arquitetou com Virgul o novo conjunto de canções, onde participam ainda o rapper de primeira linha Sam The Kid e o velho "mano" dos Nu Soul Family, Dino D' Santiago.
Aproveitando o interregno dos Nu Soul Family e as férias forçadas mas breves dos Da Weasel, Virgul segue o trilho a solo. Entrevistámo-lo há dias por telefone.
Como é que se dá novamente o envolvimento do Ben Monteiro e do Alex D’Alva Teixeira [ambos dos D’Alva] num disco teu?
Esse envolvimento foi praticamente total. Na parte das letras, foi mesmo total. No primeiro disco, foram só algumas músicas. Depois desse primeiro trabalho, criámos uma amizade muito bonita, que deu para transpor para essas músicas. Conto-lhes aquilo que quero transmitir para a música e depois os três tentamos transcrever para as letras das músicas. E o facto de nos conhecermos melhor e termos lidado como amigos este tempo todo facilitou. O resultado está mais coeso.
Chamaste a este álbum de "Júbilo". Consegues imaginar este disco sem festa e até mesmo sem o espírito do James Brown?
É impossível. É uma das minhas características. Desde o tempo dos Da Weasel, sempre gostei de festa e de puxar pelo público. Sou uma pessoa muito positiva na vida e tento trazer isso para a minha música. É o que acontece naturalmente, daí o álbum chamar-se Júbilo, porque é uma alegria expansiva, para lá do normal, que acaba por ser natural.
A tua paixão pelo r&b tem sido crescente - além do funk, claro?
Sim, tem sido uma referência. Falaste-me do James Brown. Sempre ouvi muito James Brown com o meu pai. Sinto que este disco tem também um bocado de Michael Jackson. É o que sinto que devo fazer e não uma procura. E depois naturalmente ponho cá para fora.
Porque é que fizeste de 'High' uma faixa dupla?
Esse tema foi inspirado num disco de Common, "Like Water for Chocolate" [de 2000], em que tem uma participação do Bilal, onde o põem a fazer muito soul [na faixa 'Funky for You']. Quando fiz o High, tive o Sam The Kid numa participação muito especial para mim. Achei que faltava qualquer coisa e tive a ideia de fazer algo com o Dino [D'Santiago], que é como um irmão para mim. Acho que ficou na perfeição essa transição, nas mesmas notas. Acho que está muito conseguido, tem sido a música de quem tenho tido mais feedback positivo.
Esta crise pandémica condicionou de alguma maneira este disco?
Condicionaram as datas de lançamento. Acabámos por adiar. Já tinha o apoio da Warner e eu iria lançar o disco de qualquer das formas. Foi só uma questão de alterarmos algumas datas. Ficámos um bocado à toa e tivemos que esperar algum tempo para percebermos quando é que isto voltaria à normalidade. Continuamos sem saber mas espero que para breve.
Os Da Weasel continuam a ensaiar na Incrível Almadense?
Não, fizemos uma pausa. Com estas medidas todas, ficámos um bocado condicionados em estarmos juntos. Temos todos as nossas famílias, não convém estarmos para a frente e para trás. Resolvemos retomar em fevereiro.
Esta crise foi um grande golpe, não foi?
Acho que sim. Foi das coisas mais fortes em termos de alteração de planos este cancelamento do concerto de Da Weasel porque estávamos parados há [mais de] dez anos e já com poucas expetativas de nos reunir novamente. Quando decidimos regressar, já estávamos prontíssimos, com seis meses de ensaios. Foi uma desilusão enorme, mas estamos positivos por estarmos no cartaz [do NOS Alive] de 2021. Podemos ter tempo para alterar algumas coisas. Temos mais tempo para pensarmos o show em si. Preparem-se, vai ser um concerto memorável.
Os Nu Soul Family fazem parte em definitivo do passado?
Não. Temos falado em publicar single a single. A verdade é que a carreira do Dino [D'Santiago] está com muita força. Agora, como estou também ativo e tenho ainda os Da Weasel, não é se calhar o momento mais oportuno para voltarmos. Mas não é de todo uma coisa fechada. Quem sabe um dia o público terá uma surpresa.
