Vizinhos ao Camarim: "foram as pessoas que nos puseram lá em cima"

A entrevista aos irmãos Francisco e Tomás Cartaxo está disponível desde esta semana.

Desde esta quarta-feira, está disponível a entrevista aos Vizinhos no podcast Camarim. Os irmãos Francisco e Tomás Cartaxo conversam com o anfitrião Renato Duarte.

Os músicos alentejanos falam da honra de terem vencido o prémio Play de Canção do Ano pelo tema ‘Pôr-do-Sol’: “Foi tudo graças às pessoas. Foram as pessoas que nos puseram lá em cima” e conseguimos conquistar um prémio com um nome que tem muito peso”. Em “um ano de banda acho que ainda é” mais “impressionante. E nós ainda estamos a tentar aproveitar o momento. Estamos a perceber como é que aconteceu isso tudo tão rápido”.

Os Vizinhos expõem também a metodologia de composição das canções: “Em primeiro lugar está sempre a ideia: o que é que vamos transmitir às pessoas e tentamos sempre fazer uma coisa e fazer algo com que as pessoas se identifiquem. Tentamos contar uma história. Tem de haver uma narrativa em que as pessoas oiçam a música e digam: ‘isto fui eu’, ‘isto sou eu’, ‘isto fui eu no passado’, ‘poderei ser eu amanhã’. E depois pegamos nas melodias muito cantáveis e que toda a gente consegue cantar”. Os irmão Cartaxo dão como exemplo o tema ‘Pobre Ex-namorado’, que para eles “é uma música com aquele toque um bocadinho humorístico e provocador”. 

Vem à baila na conversa o tema ‘Onde É Que Eu Tinha a Cabeça’: “’Entre copos não se fala sobre amor’, ou seja, às vezes quando bebemos uns copos a mais, ficamos confusos com o amor que está à nossa volta e acabamos por fazer coisas que não devíamos, ir dormir em sítios que não devemos. E depois acorda no outro dia de manhã e fica arrependido. E manda mensagens aos amigos: ‘venham-me buscar’. E a música é isso mesmo”. João foi buscar o colega de banda perdido. “À tarde fizemos a canção. E foi das músicas mais divertidas. Foi um processo muito natural e cada vez que a gente fazia um bocadinho de letra, maioritariamente vinha tudo até da boca dele, porque a história era real. Foi mesmo algo real que aconteceu. Se olharem bem a letra e perceberem a narrativa, percebem exatamente o que aconteceu”.

Como é típico dos alentejanos, os Vizinhos estão muito enraizados na sua terra. O dia pode ser passado fora, mas a cama e o conforto noturno têm uma região: o Alentejo, a casa. “Ainda esta semana estivemos esses dias todos em Lisboa e fomos os dias todos dormir a casa para abalarmos outra vez às oito e meia de casa. Fazemos questão de ir dormir a casa. Voltar a casa para nós é um sentimento mesmo especial e estamos sempre desejosos quando é que vamos voltar a casa e cada um vai à sua casa, para podemos ir ver a mãe, o pai”...