Whitney Houston deixou-nos há dez anos

A cantora e atriz morreu a 11 de fevereiro de 2012. Tinha 48 anos.

O mundo perdeu Whitney Houston há uma década. A estrela norte-americana - uma das mais brilhantes - morreu afogada na banheira de um quarto de hotel em Beverly Hills, nos Estados Unidos, na véspera dos Grammys, cerimónia e galardões que Whitney tratava por tu há alguns anos. A cantora, que na altura combatia contra os demónios da dependência de drogas e álcool, tinha apenas 48 anos. Celebramos o legado artístico de Whitney com dez curiosidades biográficas sobre a mulher, mãe, cantora, atriz e produtora.


Whitney, nascida a 9 de agosto de 1963, cresceu no meio das vozes magistrais e robustas do gospel e dos tons orgânicos e quentes da soul. Era filha da cantora soprano Cissy Houston, prima da histórica Dionne Warwick e amiga de longa data de Aretha Franklin - a estrela maior da soul que, sendo amiga de Cissy, acompanhou o crescimento da dona de 'I Wanna Dance With Somebody'. Whitney, na altura ainda criança, conheceu Aretha num estúdio de gravação. 


"Conheci a Whitney quando a mãe, a Cissy, que cantava comigo, a levou para uma das sessões de gravação. [A Whitney] tinha cerca de nove ou dez anos", contou Aretha, citada pela Rolling Stone, em março de 2012. "Ela sabia ser glamorosa e graciosa. Tinha muita classe. Sabia perfeitamente qual era o caminho que queria seguir".  

Homenagem de Aretha Franklin a Whitney Houston no concerto que deu em Nova Iorque, em 2015:


Quando era bebé, na primeira metade da década de sessenta, Whitney recebeu a alcunha de Nippy. Foi o pai, John Houston, quem escolheu o nome que acabou por ser apropriado por toda a família. Alguns anos mais tarde, John Houston usou a alcunha que deu à filha para "batizar" a empresa de agenciamento da família que geriu alguns momentos profissionais de Whitney - era a Nippy Inc. 


Whitney Houston começou a experimentar a voz no coro de uma igreja batista de Newark
 e frequentou uma escola católica - a Mount Saint Dominic Academy, que funcionava apenas para raparigas. Conta-se que uma das grandes ousadias da cantora foi ter ido para a escola com uma meia de cada cor.


Whitney era adolescente quando começou a acompanhar a mãe no palco, ajudando-a nos coros das atuações. Levava consigo a leveza de espírito e a profundidade emocional na voz que, à época, já dava nas vistas. Nos anos oitenta, além da aposta no canto e na dança, a jovem cantora investiu noutra faceta artística e pôs um pezinho no universo da moda. Whitney, que transbordava carisma, elegância e até confiança, foi descoberta por um fotógrafo profissional durante uma atuação com a mãe no lendário Carnegie Hall, em Nova Iorque.


A cantora chegou a ter destaque de capa na publicação "Seventeen" - o que não era nada habitual para uma jovem afrodescendente - e posou para uma série de revistas como a "Glamour", a "Cosmopolitan" ou a "Young Miss". Além dos trabalhos fotográficos, a jovem Whitney também experimentou os desafios dos desfiles de moda.


Também foi na década de oitenta que Whitney deu uma valente nega a Michael Jackson. Parece que o Rei da Pop andava à procura de uma voz feminina para o ajudar no tema 'I Just Can't Stop Loving You', faixa que lançou com o álbum "Bad" (1987). O músico, que na altura já somava uma série de discos editados, convidou Whitney, mas a cantora recusou. Foi Siedah Garrett quem acabou por gravar com Jackson.   

 


Ainda nos anos oitenta, houve outro não redondo a sair da boca de Whitney e, desta vez, ao universo (na altura pulsante) das sitcoms. Whitney Houston, que tinha feito uma audição para o programa norte-americano "The Cosby Show", foi a escolhida para desempenhar o papel de Sondra Huxtable. A cantora recusou a aventura na comédia e na televisão para meter o foco na música.


Em 1991, Whitney Houston protagonizou um momento histórico quando entregou a amplitude rara da voz ao hino dos Estados Unidos no momento solene que antecede o famoso Super Bowl (a competição de futebol americano). O momento, que foi ampliado a partir de um estádio em Tampa, Flórida, emocionou o mundo e, ainda nos dias de hoje, é lembrado como uma das grandes interpretações da cantora. Em 2005, Beyoncé, que mais tarde também deu voz ao hino americano, recordou a atuação de 91. "A Whitney Houston foi fantástica. Só queria ter a oportunidade de fazer algo semelhante ao que ela fez. Foi incrível". Beyoncé, fortemente influenciada por Whitney, seguiu o momento pela televisão quando tinha apenas 10 anos. 


Whitney Houston passou pela maior tela de todas - a de cinema. A cantora fez a estreia no papel da estrela Rachel Marron no filme "The Bodyguard", do realizador Mick Jackson, em 1992. A contracena foi com Kevin Costner que fazia o papel do charmoso Frank Farmer, o guarda-costas que protegia Rachel de um stalker. A banda sonora do filme vendeu mais de 33 milhões de cópias - soma que se deveu em muito à interpretação que Whitney fez da balada 'I Will Always Love You' - canção original de Dolly Parton.


Poucas semanas antes de morrer, Whitney parecia estar pronta para brilhar outra vez, mesmo no rescaldo de uma digressão problemática devido à fragilidade da voz que não conseguia esconder. No início do mês de fevereiro de 2012, a cantora tinha acabado as gravações de "Sparkle" - filme que marcou o regresso da cantora e atriz à tela de cinema depois de uma pausa de 16 anos na representação. O remake do original de 1976, inspirado na Motown das Supremes, estreou em agosto de 2012. 'Celebrate', que junta as vozes de Whitney Houston e Jordin Sparks, é um dos temas da banda sonora.


O percurso de Whitney foi luminoso em cima do palco mas sinuoso e conturbado em muitos outros momentos. A narrativa biográfica da cantora tem capítulos verdadeiramente dramáticos - um dos quais póstumo. Bobbi Kristina Brown, filha de Whitney Houston e do músico Bobby Brown, morreu em 2015, aos 22 anos. 


Quis o destino que o desfecho de Bobbi fosse muito parecido com o da mãe. A jovem, que também cantava, morreu submersa na banheira depois de ter ingerido uma série de substâncias, provocando uma overdose da qual nunca recuperou. Mais um final trágico na história de Whitney que costumava levar a filha para cima do palco quando esta era criança.