Sónar Lisboa em 2022: "é fazer acontecer um futuro que queremos muito"

É um dos maiores eventos de música eletrónica do mundo. Chega a Portugal em 2022.


O histórico Sónar chega a Lisboa entre os dias 8 e 10 de abril de 2022. As datas foram anunciadas ontem, 21 de junho, durante a apresentação do evento que decorreu no Hub Criativo do Beato, em Lisboa. Depois de Buenos Aires, Hong Kong, Istambul, Nova Iorque, Reiquiavique, São Paulo e Tóquio, entre outras cidades do mundo, o festival catalão vai distribuir-se por cinco palcos espalhados pela capital portuguesa. O Sónar Lisboa vai andar pelo Coliseu dos Recreios, pelo Pavilhão Carlos Lopes, pelo CCL Pavilhão do Rio, pela Factory Lisbon (Hub Criativo do Beato) e pelo Sónar Village - um recinto que será criado de raiz num estacionamento na zona do Cais do Sodré, junto ao rio Tejo. A programação da edição lisboeta, que será revelada em setembro, terá propostas nacionais e internacionais, entre nomes emergentes e outros mais sonantes. Espera-se que o evento receba 25 mil pessoas - entre público nacional e internacional - para assistir a concertos, DJ sets, instalações artísticas, performances em vídeo e a debates. Os bilhetes estão à venda a partir desta terça-feira, 22 de junho. 

É por isso um festival de música mas não só. O Sónar alia-se à criatividade, à tecnologia e à urgência de haver um foco na sustentabilidade. "Pioneiro na área da música mais avançada, e explorando tudo o que a rodeia, é um dos eventos europeus mais importantes da cultura experimental”, diz o texto que apresenta o evento. Tem como objetivo "lançar pontes entre a criatividade e a tecnologia, nomeadamente entre as indústrias criativas contemporâneas, sejam plásticas ou audiovisuais, e as indústrias tecnológicas e digitais emergentes, tais como o gaming, a animação, a robótica, a realidade virtual/ realidade aumentada (VR/AR), a inteligência artificial (AI) e a Internet of things (IoTs)."

Música eletrónica e experiências audiovisuais, arte digital e conversas sobre o futuro e a sustentabilidade são então os três eixos da primeira edição do Sónar em Portugal
 


A apresentação do festival contou com a presença da Ministra da Cultura, Graça Fonseca, da Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, da Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, bem como do fundador do evento original de Barcelona, Enric Palau. 

Graça Fonseca sublinhou a coragem dos organizadores por terem mantido os objetivos, mesmo em tempos imprevisíveis. "Quero dar os parabéns pela coragem. Sendo que foi um evento que começou a ser pensado numa fase de pré-pandemia, mantiveram os objetivos durante a pandemia. É preciso coragem para manter um projeto como este depois destes últimos 14 meses e numa altura em que ainda vivemos com uma certa imprevisibilidade", afirmou a Ministra da Cultura durante a apresentação do festival. "Está tudo certo neste projeto. É um projeto que não tem fronteiras nem silos, que é um conceito que em Portugal conhecemos bem. É um projeto transdisciplinar, que atravessa as várias áreas da cultura - a música, as artes plásticas, o gaming e o audiovisual. Não fica encerrado na cultura e estende-se à ciência e à tecnologia. Está tudo certo porque coloca o papel da cultura, da criatividade, da curiosidade como plataforma de transformação do mundo, da sociedade e da forma como nos relacionamos com o ambiente e uns com os outros. A cultura e a criatividade têm esse potencial. O potencial de transformar o mundo", disse ainda Graça Fonseca. 
 


Enric Palau, fundador do evento original em Barcelona, disse-nos que 2022 é o ano ideal para trazer o Sónar até Lisboa. "É o timing certo, no lugar certo, acho. Sempre foi, mas atualmente Lisboa é uma cidade muito excitante e criativa. Além disso, é um lugar que mistura culturas diferentes. Faz todo o sentido receber o Sónar", adiantou Palau. "Queremos fazer algo especial em Lisboa. Queremos que a edição lisboeta do evento esteja focada no que a cidade significa. Queremos que as pessoas descubram a cidade, como se fosse um safari, enquanto percorrem os vários espaços onde vai decorrer o evento."   
 

 

"A 'personalidade' do Sónar Lisboa assenta em duas coisas: na própria cidade e na programação. Queremos ter uma presença portuguesa muito forte na programação", adiantou o fundador do festival catalão.
 

 

O Sónar Lisboa 2022 é organizado pela Pixel Harmony, que junta os sócios Made of You (Gustavo Pereira, Paulo Amaral, Raul Duro), João Wengorovius Meneses, Patrícia Craveiro Lopes, Gonçalo Félix da Costa e a Kiss, e conta com o apoio do Turismo de Portugal, Câmara Municipal de Lisboa e Turismo de Lisboa.

João Wengorovius Meneses admite que, perante o cenário de pandemia que trocou as voltas a todos, chegar a esta fase de concretização foi um processo "particularmente complexo". "O projeto não avançou com a velocidade que imaginávamos, mas, por outro lado, isso permitiu-nos corrigir algumas falhas que de outro modo não teriam sido corrigidas. Teve uma falsa partida, ainda pensámos em fazer o evento este ano, mas estamos muito seguros e contentes com as datas que acabámos de anunciar, em abril de 2022", afirmou o promotor português. "É um momento muito desafiante para promotores de eventos culturais com alguma escala e para o lançamento desses eventos, mas nós estamos profundamente convencidos de que este é o momento certo. Esta iniciativa pode até dar esperança para o futuro. É fazer acontecer um futuro que todos queremos muito."
 

 

"Não sei se a edição de Lisboa vai cheirar a manjerico ou se vamos poder ouvir kuduro, Lisboa decidirá. É soberana. (risos)", diz João Meneses sobre a versão portuguesa do festival. "Tipicamente, o Sónar é concentrado em espaços que não são muito centrais. Falo de espaços como pavilhões mais industriais, de maior escala. Achámos que Lisboa merecia um Sónar nos seus interstícios, nas suas esquinas. Lisboa também vai tirar partido do cruzamento da linguagem digital com a da música eletrónica. Achámos que era o momento certo para abrir o diálogo entre a cidade e um festival que é tão único nos cruzamentos que faz e nas diversas linguagens que apresenta", completou.
 

 

Durante três dias, "o Sónar Lisboa 2022 vai estimular a circulação do público pelas artérias da capital, numa descoberta da programação diurna, baseada em exposições de arte digital, conversas sobre sustentabilidade e iniciativas ligadas à comunidade que aproximam a edição portuguesa da variante tendencialmente diurna e multidisciplicar Sónar+D, e a programação noturna, com concertos e experiências audiovisuais. Toda a curadoria do festival é atravessada pelo filtro da sustentabilidade - mote central das conversas e debates que irão decorrer no Factory Lisbon - Hub Criativo do Beato, nos dias 8 e 9 de abril mas também dos concertos e exposições. A organização está, desde o primeiro momento, a adotar medidas que tornem o festival sustentável, através de escolhas mais verdes e locais (a começar pela contratação dos seus fornecedores, evitando materiais e produtos de utilização única, como copos e outros utensílios que serão reduzidos ao indispensável e reutilizáveis sempre que possível), passando pela otimização de desperdícios (através do encaminhamento das águas cinzentas, dos óleos e gorduras usados) e medição dos consumos energéticos e emissões nas várias áreas do festival, de forma a calcular a sua pegada ecológica. A equipa de colaboradores e o público serão convidados a adoptar boas práticas ambientais. Nas áreas de restauração será incentivada a alimentação saudável e vão estar disponíveis alternativas para vegetarianos, vegans e portadores de intolerâncias alimentares."

Nota história: O Sónar acontece em Barcelona, Espanha, desde 1994. Soma soma mais de 70 edições, em 36 cidades diferentes do mundo.