NATO: Ministros da Defesa reunidos a partir de hoje em Bruxelas

Todas as atenções estão viradas ainda para a ameaça de um ataque militar russo à Ucrânia.

Os ministros da Defesa dos 30 Estados-membros da NATO, incluindo Portugal, iniciam hoje em Bruxelas uma reunião de dois dias, com todas as atenções viradas para a ameaça de um ataque militar russo à Ucrânia, "a maior crise de segurança na Europa desde a Guerra Fria".

Na véspera da reunião ministerial, a Rússia anunciou, na terça-feira, o início da retirada de algumas das suas tropas de perto das fronteiras da Ucrânia, denunciando a "histeria ocidental" sobre uma suposta invasão iminente do país vizinho.

Ao comentar o anúncio russo, o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, disse que os mais recentes "sinais" vindos de Moscovo permitiam um "otimismo cauteloso", mas sublinhou que não se via ainda uma diminuição da escalada no terreno.

"Até agora, não vimos qualquer desescalada no terreno, nenhuns sinais de redução da presença militar russa nas fronteiras com a Ucrânia, mas vamos continuar a monitorizar e a seguir atentamente o que a Rússia está a fazer. Mas os sinais que chegam de Moscovo, relativamente à vontade de prosseguir os esforços diplomáticos, dão alguma razão para um otimismo cauteloso", declarou na terça-feira Stoltenberg, numa conferência de imprensa de antevisão da reunião ministerial.

Apontando que os ministros da Defesa dos Aliados terão ao longo dos dois dias de reunião a oportunidade de discutir aquela que é "a maior ameaça à segurança europeia das últimas décadas" -- incluindo uma discussão, na quinta-feira, com o seu homólogo ucraniano -, Stoltenberg disse esperar que seja possível avaliar "se há sinais", no terreno, de um efetivo desanuviamento ou não.

Para já, insistiu na mesma ocasião, a "concentração sem precedentes" de forças e meios militares nas fronteiras com a Ucrânia permite à Rússia lançar um ataque em grande escala "a qualquer momento" e sem aviso prévio.

O secretário-geral da NATO disse esperar ainda que todos os membros da Aliança voltem a expressar nesta reunião ministerial em Bruxelas o seu "apoio político à Ucrânia, à soberania e integridade territorial da Ucrânia", adiantando que será também discutido o "apoio técnico" que pode continuar a ser prestado a Kiev, bem como o reforço da "postura defensiva" da Aliança a leste.