Abre-se a cortina para Joana Almeirante
Foi esta noite no Teatro Maria Matos, com canções quentinhas acabadas de editar no seu EP de estreia, "Ilusão".
Em ambiente literalmente familiar, Joana Almeirante deu mais um passo no seu trajeto em nome próprio, ao apresentar-se sozinha em palco, no Teatro Maria Matos (em Lisboa), para tocar as músicas do seu primeiro EP, "Ilusão", além de outros brindes.
Às 21h08, a primeira cortina subiu, mostrando-nos uma Joana Almeirante sentada com a sua guitarra acústica, debaixo de uma estrutura de 22 cordas que fazia o cenário.
Ao longo de 70 minutos, Joana Almeirante patenteou a sua atração natural pela elegância, com uma voz que nunca desafina e nunca se desacerta. A leveza da voz é a mesma das mãos, com uma musicalidade simples e bonita de dedilhar de raspão a guitarra, ora acústica, ora elétrica.
O álbum de estreia de Almeirante é ainda um futuro próximo, mas que já se ouve no Maria Matos. Foi com uma música sem nome que a cantora feirense abriu a atuação de 70 minutos, escrita por Luísa Sobral e prometida para o tal longa-duração, tal como 'Tempo', apresentada mais adiante, e que fora composta pela própria Joana Almeirante na pandemia, sobre um "mundo do avesso" que está longe de se recompor.
Habituámo-nos a ver Joana Almeirante como figura de apoio de Miguel Araújo e, mais recentemente, de Bárbara Tinoco. Mas, ali no Teatro Maria Matos, o palco era só dela. Portanto, teria que ser ela a falar. E falou sem problemas, apesar do seu ar introspetivo. Confessou ter ficado doente há pouco tempo, tendo receado não recuperar para conseguir tocar no Maria Matos. Teceu rasgados elogios a Miguel Araújo que não lhe escreve canções com "palavras difíceis" que a obriguem a ir ao dicionário (essas palavras difíceis ficam sob o encargo do próprio cantor do Porto). E antes, tinha desabafado que "o Miguel não sabe escrever más canções", dando como exemplo a sua célebre 'Bem Me Quer', temperada por muita candura primaveril, com que Joana Almeirante conseguiu pôr o público de Lisboa a cantar e a perder a tramada timidez. Jorge Cruz foi outro ausente presente, cuja arte cancioneira se fez sentir em 'Confetis' (do EP "Ilusão") e noutro tema novo, que talvez vá parar ao tal álbum da cantora.
Tal como anunciado, Joana Almeirante não esteve sempre sozinha em palco. Sincronizou e intercalou a sua voz com a da convidada Bárbara Tinoco nas músicas 'A Tua Namorada' (dada ao reportório de Almeirante) e 'Sei Lá' (da coutada de Tinoco). Outro dos compositores participantes no EP 'Ilusão' é Agir, que também apareceu em palco para um dueto em 'Horas Longas', o tema que ofereceu a Joana Almeirante, depois de se ter "impingido" para ser um dos co-criadores. Houve ainda uma 'Mesa para Dois', entre Agir e Joana Almeirante.
Já na reta final da atuação, Joana Almeirante faz várias confidências autobiográficas. Para a cantora, 'Mera Ilusão' é a primeira canção escrita por si que achou boa, "depois de 40 deitadas fora". E nos antecedentes de apresentação da sua versão de 'If It Makes You Happy' de Sheryl Crow, lembrou a influência do seu pai no amor à música, recordando uma ida com 12 anos a um concerto dos Iron Maiden no Pavilhão Atlântico, na companhia do seu progenitor.
'Bem Me Quer' foi retomada para o final, desta vez em triangulações entre as vozes de Agir, Barbara Tinoco e Joana Almeirante, com o público novamente a ser mobilizado para mais cantorias e até palmas.
















