"É revoltante". O relato de um médico português perto da fronteira com Ucrânia

Ricardo Bordón está há quase uma semana na Polónia, perto da fronteira ucraniana, a prestar ajuda e assistência médica aos refugiados.

Já são muitos os portugueses que estão na Polónia, junto à fronteira com a Ucrânia, a ajudar refugiados ucranianos que têm conseguido fugir da guerra em curso há 22 dias.

Ricardo Bordón, médico português e presidente da associação Together Internacional Portugal, está há quase uma semana perto da fronteira ucraniana, a cerca de 12 quilómetros, a prestar ajuda e assistência médica.

Poucos momentos antes desta entrevista, conduzida pela jornalista Tânia Paiva, este médico português conseguiu desbloquear o acesso para receber uma família de 11 pessoas que estavam isoladas na Ucrânia, no meio dos bombardeamentos e que conseguiram finalmente cruzar a fronteira para a Polónia.

 

 

Apesar da experiência que tem em missões humanitárias, Ricardo Bordón diz que são incontroláveis as emoções quando estas pessoas cruzam a fronteira.

"São pessoas que vêm em total vulnerabilidade. Assustadas. (...) Nós tentamos oferecer algum conforto", sublinha.

 

 

Ricardo Bordón admite que esta missão humanitária é diferente de muitas outras que tem vindo a fazer, por razões de catástrofes naturais.

Este médico português diz que a situação no terreno é muito revoltante.

"É mais duro que uma catástrofe natural. Aqui vemos milhares e milhares de crianças sozinhas com as mães ou avós".

 

 

 

Ricardo Bordón confirma que as doações de bens têm chegado a estes centros improvisados de ajuda, mas confessa que, neste momento, devido à falta de espaço e a necessidades concretas, a doação de dinheiro é agora uma ajuda preciosa para as associações e equipas que estão no local.