Canções de vénia e sarcasmo sobre a Rainha Isabel II

Reino pouco unido na classe musical perante a maior figura da monarquia britânica.

O rock é por natureza republicano e pouco dado a vénias a reis e rainhas. "Isabel II" morreu, tendo inspirado música de súbditos pouco submissos no Reino Unido. Relembramos alguns casos de ligações entre música e a Rainha Isabel II.  

Queen
O nome ligou a banda de Freddie Mercury à maior figura da coroa britânica. E a versão instrumental e rocker do hino 'God Save the Queen' colou-se para sempre aos alinhamentos dos espetáculos dos Queen. O fecho dos concertos ao som da encenação real de 'God Save the Queen' tornou-se uma tradição a que os fãs dos Queen se habituaram.    

 

The Beatles - 'Her Majesty' (1969)
O fugaz tema é uma espécie de post-scriptum do álbum dos Beatles, "Abbey Road", que fora gravado e tocado por apenas um só membro dos Fab Four: Paul McCartney. "Her Majesty's a pretty nice girl/But she doesn't have a lot to say", canta Paul McCartney, cuja carreira ficou marcada por várias condecorações no Palácio de Buckingham, às mãos da Rainha Isabel II.

 

Billy Bragg - 'Rule Nor Reason' (1999)
O súbdito Billy Bragg não é nada monárquico mas por trás da realeza que condena, encontra uma pessoa, Isabel II, que vê mais como uma vítima do seu destino, do que como a responsável pelo sistema hierárquico que sustenta o Reino Unido.

  
Sex Pistols - 'God Save The Queen' (1977)
Nunca o rock manchou com tanta nódoa os melhores panos reais do que os Sex Pistols, que aterrorizarem o Jubileu do 25º aniversário do reinado de Isabel II, com um pouco oficial 'God Save The Queen', o homónimo do hino saído das ruas sujas de Londres. Os Sex Pistols foram os bobos da corte intrusos e indesejados que fizeram escárnio da própria Rainha. Mas seguir-se-iam mais tropelias destas encarnações da plebe, como o concerto no rio Tamisa, a tocar 'God Save the Queen' num barco chamado Queen Elizabeth, a 7 de junho de 1977, o dia do Jubileu de Prata da Rainha Isabel II.

 

The Smiths - 'The Queen Is Dead' (1986)
O que Morrissey desejou e cantou, aconteceu: 'The Queen Is Dead'. O tema-título daquele que é para muitos o melhor álbum dos Smiths continua a ser cantado ao vivo por Morrissey. Muitas vezes, antes de o cantar, o artista deixa palavras bem duras para com a Família Real do Reino Unido, a que já chamou de "regime fascista".

 

Manic Street Preachers, ‘Repeat (Stars And Stripes)’ (1992)
“Repeat after me/Fuck queen and country”, canta James Dean Bradfield, noutro manifesto do rock contra o sistema real britânico. Os Manic Street Preachers tinham também como fonte de energia renovável a raiva punk, nos tempos menos moderados do álbum de estreia, "Generation Terrorists".

 

The Stone Roses - 'Elizabeth My Dear' (de 1989)
O vocalista Ian Brown arranjou uma forma mais dócil de desejar a morte da Rainha, chamando-a de 'Elizabeth My Dear'. "I'll not rest/Till she's lost her throne": canta Brown, no momento mais folk (e simultaneamente mais controverso) do emblemático álbum homónimo dos Stone Roses, de candura melodiosa mas de palavras amargas.