Marcelo não ficou surpreendido com as 424 queixas de abusos sexuais na Igreja

Presidente da República considera que "não é particularmente elevado" haver 400 casos suspeitos de abusos sexuais na Igreja Católica Portuguesa.

O Presidente da República diz que "não surpreende" as mais de 400 queixas de abusos sexuais que chegaram à Comissão Independente que estuda os abusos sexuais de menores na Igreja Católica Portuguesa.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinha até que "haver 400 casos não parece particularmente elevado porque noutros países, com horizontes mais pequenos, houve milhares de casos".

O chefe de Estado sublinhou ainda que não há limite de tempo para estas queixas e frisou que estamos perante um "universo de milhões" de pessoas que contactaram com a Igreja Católica ao longo de várias décadas.

Em declarações esta tarde no Palácio de Belé,. em Lisboa, o Presidente da República reforçou também que todos os cidadãos são iguais perante a lei, incluindo os representantes da Igreja.

A Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa anunciou esta terça-feira que já recebeu 424 testemunhos, sendo que a maior parte dos crimes reportados já prescreveu.

"Há 424 testemunhos recolhidos pelas diversas formas englobadas no trabalho da Comissão. O número mínimo de vítimas será muitíssimo maior do que as quatro centenas e os abusos compreendem todas as formas descritas na lei portuguesa", afirmou o coordenador da Comissão, o pedopsiquiatra Pedro Strecht.