Execução de jovens no Irão motiva protestos de comunidade iraniana em Lisboa
Jovens tinham sido detidos num protesto anti-governo.
A Comunidade Iraniana Portuguesa convocou hoje duas manifestações em Lisboa, para sexta-feira e sábado, contra a execução pública de dois jovens iranianos detidos numa vaga de protestos antigovernamentais no Irão.
Em comunicado hoje divulgado, a comunidade iraniana refere que todo o processo dos dois jovens executados - desde o julgamento, sentença e subsequente execução - demorou 3 semanas, o que "demonstra de forma muito clara que se tratam de julgamentos fraudulentos e usados como arma de maneira a criar medo no povo iraniano para que parem de reivindicar os seus direitos básicos humanos".
O regime da República Islâmica executou nos últimos dias dois jovens manifestantes, Mohsen Shekari e Majidreza Rahnavard, ambos com 23 anos de idade, por terem participado nas manifestações.
Rahnavard tinha sido condenado à morte por ter esfaqueado dois membros das forças de segurança e ferido quatro pessoas, segundo a agência Mizan, da Autoridade Judicial iraniana.
O jovem foi enforcado em público em Mashhad, no nordeste do Irão, noticiou a agência France-Presse (AFP).
Esta foi a segunda execução associada aos protestos desencadeados pela morte da jovem iraniana Mahsa Amini, em 16 de setembro, mas a primeira em público, após o enforcamento, em 08 de dezembro, de Mohsen Shekari, condenado por agredir e ferir um paramilitar.
Mais de 10 outros prisioneiros encontram-se sentenciados à morte, pelo que as suas vidas se encontram em iminente risco.
No comunicado hoje divulgado, a comunidade iraniana apela urgentemente a ações concretas por parte do governo português, pelo que irá realizar 2 manifestações frente à Assembleia da República.
Convocada para sexta-feira, 16 de dezembro, a partir das 12:00, a manifestação será aproveitada para entrega de cartas com pedido patrocínio político, a fim de serem remetidas aos deputados.
No sábado, 17 de dezembro, a partir das 15:00, terá lugar a marcha global de ação contra execuções no Irão, com início na Assembleia da República e fim no Jardim Dom Luís.
O Irão é palco de protestos desde meados de setembro, quando Mahsa Amini, uma jovem curda, morreu sob custódia da polícia depois de ter sido detida por não usar o véu adequadamente e violar os códigos de vestuário islâmicos.
Desde então, os protestos têm sido reprimidos violentamente pelas autoridades, alvo de novas sanções impostas pela comunidade internacional por questões relacionadas com os Direitos Humanos.
No entanto, Teerão considera que a maioria dos iranianos apoia o Governo e acusa inimigos do país e mercenários de estarem por detrás dos protestos maciços.
Em quase três meses de protestos, morreram mais de 500 pessoas e pelo menos 15 mil foram detidas, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights.
Por seu lado, as autoridades iranianas estimaram em 300 o número de mortos, 50 dos quais membros das forças de segurança do país.
Depois de quase três meses de contestação social, foi anunciada a dissolução da polícia da moralidade, responsável pela detenção e morte de Amini, sem que este anúncio não acalmou a situação.
Mas o desaparecimento das patrulhas daquela força policial não implicou o fim das leis que impõem o uso obrigatório do véu e de outras normas sociais rígidas no país.
