As reações à morte de Linda de Suza

"Manteve sempre explícitas, nos muitos álbuns e singles que gravou, as referências ao seu país de origem e à sua odisseia pessoal", disse Marcelo Rebelo de Sousa. A artista portuguesa, radicada em França, morreu aos 74 anos.

Linda de Suza morreu nesta quarta-feira, 28 de dezembro, no hospital, em Gisors, França, onde estava internada depois de ter sido diagnosticada com Covid-19. A artista de origem portuguesa, radicada em França para onde emigrou em 1970, não resistiu a uma insuficiência respiratória. Tinha 74 anos.    

Linda de Suza é o nome artístico de Teolinda Joaquina de Sousa, nascida em 1948, em Beringel, no concelho de Beja. Foi então no início da década de setenta que emigrou para França, onde alcançou o sucesso como cantora, sem nunca esquecer Portugal e cultura portuguesa nas suas canções. Tornar-se-ia num símbolo para as comunidades emigrantes que nem sempre tinham a vida facilitada nos países que as acolhiam. 

Em declarações à Agência Lusa, o investigador Vítor Pereira refere que a cantora "foi o rosto dos milhares de portugueses, e em particular das mulheres, que emigraram para França nas décadas de 1960 e 1970". "No início da sua carreira já havia cerca de um milhão de portugueses em França, mas não havia cantores de origem portuguesa. Havia cantores de origem espanhola, italiana, mas não portuguesa e então ela foi o rosto visível da imigração portuguesa em França e também da imigração feminina", explicou o investigador principal no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.
 
O presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Europa (CRCPE) enalteceu o papel da cantora na emancipação da comunidade portuguesa em França, que na altura enfrentava condições muito mais adversas. Também em declarações à agência Lusa, Pedro Rupio disse conhecer a importância da cantora, cuja "mala de cartão" simboliza a emigração "a salto" nos anos 60 e 70 do século passado, que teve sucesso num país onde muitos portugueses viviam em condições extremamente difíceis, nomeadamente nos famosos 'bidonville' (bairros de lata).

"Se há uma coisa que nunca mais se viu e que existia no tempo em que Linda de Suza emigrou para França foram os 'bidonvilles'. É uma grande diferença", observou. Referindo-se à emigração a que Linda de Suza acabou por dar o rosto, Rupio indicou que os anos 60 e 70 do século XX tinham pouca emigração qualificada, ao contrário dos dias de hoje. Contudo, o presidente do CRCPE sublinha: "Ainda assim, em muitos países da Europa continua a assistir-se à chegada de portugueses pouco qualificados e que enfrentam várias precariedades nos primeiros tempos nos países de acolhimento". Pedro Rupio reconhece a importância de figuras como Linda de Suza, com sucesso no país de acolhimento, e que ajudam a matar as saudades do país de origem.

O Presidente da República evocou a cantora como "exemplo de determinação" e "um ícone francês da 'imigração portuguesa e, portanto, um ícone de Portugal". Numa nota publicada no site oficial da Presidência da República, o chefe de Estado referiu que "Teolinda de Sousa Lança, que ficou conhecida artisticamente como Linda de Suza, foi uma figura a vários títulos emblemática".

"Fica na nossa memória como exemplo de determinação e de fidelidade. Foi um ícone francês da imigração portuguesa e, portanto, um ícone de Portugal. A seu filho e netos apresento as minhas sentidas condolências", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa. Nesta mensagem de pesar, realça-se que Linda de Suza acompanhou "uma das maiores vagas migratórias portuguesas", ao emigrar para França em 1970, onde "procurou melhor sorte".
 
Paulo Cafôfo, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, escreveu no Twitter: "Quero expressar profundo pesar pelo falecimento de Linda de Suza. Das mais reconhecidas cantoras portuguesas em França e símbolo de Portugal. Levou Portugal na sua mala de cartão e na sua voz, aproximando a Diáspora das suas raízes. À família e amigos, as mais sinceras condolências".