Billy Corgan chorou com a morte de Kurt Cobain

"Eu perdi o meu maior competidor" em 1994, recorda o líder dos Smashing Pumpkins.

Em entrevista ao radialista Zane Lowe da Apple Music, o líder incontestável dos Smashing Pumpkins, Billy Corgan, recordou a sua reação pessoal ao suicídio do vocalista e guitarrista dos Nirvana, Kurt Cobain, ocorrido em 1994. "Quando o Kurt morreu, chorei porque eu perdi o meu maior competidor. Eu queria concorrer com os melhores", e não andar por divisões mais secundárias, numa analogia com o desporto de alta competição, e comparando o grunger dos Nirvana com o basquetebolista da NBA, Michael Jordan - "a maior figura desportiva que alguma vez verei na minha vida". 

Billy Corgan explica a Zane Lowe que "queria ver os Pumpkins como o topo da nossa geração. Se isso implicasse eu ter que escrever 800 canções, assim faria. Não posso ter modéstias com isso. Mas tenho que reconhecer que o Kurt Cobain era o mais talentoso da nossa geração. O Kurt tinha tanto talento que era assustador. Estava no nível de talento do John Lennon e me fazia pensar: 'como se pode ter tanto talento'. Ou no nível do Prince. Mas o Kurt já cá não está, tristemente. Portanto, olhei à volta e pensei, 'agora posso bater o resto deles, garantidamente'".

 

Quando Kurt Cobain morreu em 1994, os Nirvana eram vistos como um dos ícones maiores do grunge, com três álbuns de estúdio, o mais célebre deles "Nevermind", de 1991, que se tornou o apogeu do movimento de bandas de Seattle. Em 1994, os Smashing Pumpkins, que vinham de Chicago, tinham apenas dois álbuns na sua discografia, o último deles o bastante reverenciado "Siamese Dream" (de 1993). Nessa altura, os Smashing Pumpkins estavam prestes a começar a gravar a sua obra mais ambiciosa, o disco duplo "Mellon Collie & The Infinite Sadness" (de 1995), em oito meses de sessões de gravação e de muita fertilidade - com dezenas de sobras para lados B de singles. Mais desapegados do rótulo de grungers, os Smashing Pumpkins tornaram-se numa das grandes bandas do indie rock norte-americano dos anos 90.

Há cinco anos, numa entrevista à Billboard, Billy Corgan recordou uma história hilariante passada com os Nirvana, quando em julho de 1991 o homem dos Pumpkins estava com Butch Vig, o produtor dos dois primeiros álbuns dos Smashing Pumpkins. Os dois estavam a contemplar o fogo-de-artifício. "Queres ouvir o novo álbum dos Nirvana?", pergunta Butch Vig, que tinha acabado de produzir a obra seminal do grunge "Nevermind", mas que o mundo só viria a conhecer em setembro. À pergunta de Butch Vig, Billy Corgan responde: "Claro, porque não?". Butch Vig pega no que chamamos em Portugal de 'tijolo' - 'boombox' em linguagem de hip hop - e põe a tocar o famoso 'Smells Like Teen Spirit'. Mal Billy Corgan ouve os carismáticos acordes de guitarra do tema, a sua sensibilidade de fã de hard rock vai ao de cima e pensa imediatamente: "espera aí, isso é o 'More Than a Feeling' dos Boston". Seis meses mais tarde, quando os Smashing Pumpkins estavam em Tóquio, havia uma actuação dos Nirvana na capital japonesa. "Fomos ver o concerto deles. E há aquele momento em que se pressente que vão tocar o 'Smells Like Teen Spirit'. E o Kurt Cobain começa a tocar o 'More Than a Feeling'", e Billy Corgan lembrou-se da primeira escuta de 'Smells Like Teen Spirit' e pensou: "OK, não estou assim tão maluco". 

 

 

 

Voltando à recente entrevista de Zane Lowe a Billy Corgan, o guitarrista dos Smashing Pumpkins recorda os conselhos dados a Bono para a gravação do álbum dos U2 de 2000, "All That You Can’t Leave Behind": "eu estava em Dublin em 2000 e fui à casa do Bono. Passámos lá toda a noite e já de manhã, por uma razão qualquer, eu e o Bono éramos ainda as únicas pessoas de pé. E ele diz-me: 'quero mostrar-te uma coisa. Vamos ter que dar uma volta de carro porque não quero acordar aqui ninguém'. Éramos só nós os dois, enregelados, na estrada, e ele põe a tocar o que seria o álbum do It’s a Beautiful Day, não como iria ficar, mas quase. 'Diz-me sinceramente o que tu achas'. E eu disse-lhe: 'queres mesmo que eu te dê a minha opinião? E eu dei-lhe a minha opinião e eles usaram o meu conselho. Ele fez-me saber isso: 'hey, usámos a tua dica'".