Sting contra uso de Inteligência Artificial na música
Ex-Police alerta para riscos de uma longa batalha entre humanos e estas ferramentas informáticas.
Em entrevista à BBC, o músico Sting mostrou enorme criticismo pelos resultados que têm sido publicados de uso e manipulação de música pela técnica de Inteligência Artificial [AI]. "É similar à forma como vejo filmes com CGI [Computer-generated imagery, um programa de inserção artificial de imagens muito usado em filmes de animação]. Não me impressiona de todo. Fico rapidamente aborrecido quando vejo imagens de CGI. Imagino que sinta o mesmo com a música feita por AI. Talvez funcione para a música eletrónica. Mas para canções que expressem emoções, penso que não me irão comover".
Sting prevê uma "batalha que vamos todos enfrentar no próximo par de anos: a defesa do nosso capital humano contra a AI", lembrando que as estruturas musicais "pertencem-nos a nós, humanos".
Neil Tennant, vocalista dos Pet Shop Boys, é um dos raros músicos que defendeu publicamente o uso de AI na música, relembrando que este mecanismo informático permitiu à dupla de synth-pop ultrapassar um bloqueio de um refrão de um tema de 2003. "Bastou premir num botão para rechear o que estava em branco", louvando a AI como uma ferramenta útil. Confrontado pela BBC com este ponto de vista, Sting concorda apenas parcialmente. "As ferramentas são úteis mas temos que ser nós a comandá-las. Penso que não devemos permitir que sejam as máquinas a mandar. Temos que ser cautelosos".
Um dos primeiros críticos da técnica de AI do ChatGPT foi Nick Cave. Para o músico australiano, "o ChatGPT pode estar capaz de escrever um discurso, um ensaio, um sermão ou um obituário, mas jamais poderá criar uma canção genuína. Pode criar rapidamente uma canção que é, à superfície, indistinguível de uma original, mas será sempre uma réplica, uma espécie de farsa”. Este texto foi escrito em janeiro na sua plataforma online The Red Hand Files.
