The Hives: "queremos que o nosso rock soe a algo fresco e selvagem"

Os suecos vão atuar no MEO Kalorama no Parque da Belavista a 2 de setembro, terceiro e último dia do festival.

Os suecos The Hives estão de regresso aos discos depois de uma paragem de 11 anos em matéria de lançamentos. O último álbum que o quinteto deu ao mundo foi o disco "Lex Hives", editado em 2012. 

"The Death Of Randy Fitzsimmons" (A Morte de Randy Fitzsimmons) é o novo registo do grupo sueco e chegou hoje, 11 de agosto, às mãos dos fãs. É o sexto álbum de estúdio dos cinco rapazes que, confessam, têm tido dificuldade em comunicar com Randy Fitzsimmons - o elemento ficcional do grupo que serve como fundador, mentor e impulsionador criativo. E sem Randy não há discos dos Hives já que é também Randy quem escreve as canções do coletivo. Talvez seja esta a principal razão para o hiato na produção discográfica que parou há 11 anos. Será? 

Na conversa que tivemos com o guitarrista Nicholaus Arson (será ele o Randy?) tentámos perceber o que se passou com Fitzsimmons, uma vez que o título do álbum aponta para um desfecho trágico da mente criativa dos suecos. Nicholaus Arson (irmão do frontman Pelle Almqvist) não sabe mas contou que o grupo descobriu demos, cassetes e notas ao pé de uma sepultura que tinha, curiosamente, o nome de Randy Fitzsimmons inscrito na lápide. 

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E foi com esse material que os cinco músicos se enfiaram no estúdio. O resultado foi um álbum de 12 faixas que chega com um propósito: evitar fazer rock n' roll adulto e responsável. 

Os Hives, que já atuaram diversas vezes em Portugal, regressam a 2 de setembro para um concerto no MEO Kalorama, no Parque da Belavista, em Lisboa. No cartaz da segunda edição do festival lisboeta estão nomes como Blur, Prodigy, Yeah Yeah Yeahs, Florence + the Machine, Aphex Twin, Arcade Fire, Foals, Siouxsie, entre muitos outros. O MEO Kalorama acontece nos dias 31 de agosto e 1 e 2 de setembro. 

 


11 anos depois estão de volta ao estúdio. Porquê só agora?

Andámos em digressão com os outros discos. Parte foi por isso. Por outro lado, antes éramos compostos por seis elementos. Acho que posso pôr as coisas desta forma. Somos cinco em digressão e depois temos o Randy, que basicamente escreve as nossas canções. O que aconteceu foi que começámos a ter alguma dificuldade em manter o contacto com ele. Aliás, era ele quem costumava entrar em contacto connosco. E deixou de o fazer. Não nos contactou durante muito tempo. 

O que é que lhe aconteceu?

Não sabemos muito bem. Desapareceu durante uns três anos. E a pandemia também não ajudou. Assim que voltámos a falar com ele, aconteceu tudo muito rápido. O processo deste álbum foi muito mais rápido do que o anterior.   

Mas o disco chama-se "The Death of Randy Fitzsimmons", alguma coisa aconteceu ao Randy, não?

Ah, não sabemos. Nós descobrimos uma série de demos, cassetes, notas e até fatos ao pé de uma sepultura [que tinha o nome do Randy na lápide]. Parecia uma autêntica caça ao tesouro para crianças, mas neste caso foi uma caça ao tesouro para bandas rock. Foi assim que descobrimos as demos. Após dessa descoberta começámos logo a trabalhar. Mas a questão é que não sabemos se o Randy está vivo. O título [do álbum] foi nos dado assim. 

Será que ele fingiu a própria morte?

Não sei. Normalmente, os caixões têm mortos lá dentro e este não tinha. Vamos ver. Talvez ele nos leve para outra caça ao tesouro. Temos de esperar para ver. Se calhar fartou-se de nós e esta foi a maneira que arranjou para pôr um ponto final a tudo. Mas não sei mesmo, só posso especular. Não temos estado em contacto com ele. 

Com que estado de espírito é que partiram para este disco? Sei que quiseram preservar uma vibe adolescente...

Sim. Queremos que o rock n' roll soe a algo fresco. Queremos que soe a algo selvagem, a algo pouco responsável. Tem de ter um toque de juventude. Queríamos um álbum com a energia dos Hives ao vivo. A energia foi algo muito importante neste álbum. 


       
Como é que o público tem estado a reagir às novas canções?

Muito bem. Basicamente, temos tocado em estádios cheios de fãs dos Arctic Monkeys, mas nos concertos que demos em nome próprio as pessoas já sabem as letras de cor. E o disco ainda nem saiu [entrevista feita antes do dia de lançamento]. Tem sido ótimo! 

E a malta mais nova, como é que reage ao vosso som?

É uma loucura.

E muitos estão agora a descobrir a música...

Sim. Eu lembro-me muito bem desses tempos, dessa emoção. E ainda sinto essa emoção de vez em quando. Acontece quando somos adolescentes ou mesmo antes de sermos adolescentes. Eu tinha seis anos quando descobri os AC/DC. E hoje em dia ainda oiço essas músicas. É o que acontece quando nos apaixonamos por canções com as quais nos identificamos, algo que não acontece com tudo aquilo que ouvimos. É profundo. É um grande sentimento. É o que acontece quando nos apaixonamos. É um ótimo sentimento. 

Qual foi o último álbum que te provocou esse sentimento?

"The Death of Randy Fitzsimmons", dos Hives. (risos) Apaixono-me por esse disco sempre que o oiço.

Qual é a tua faixa preferida?

Acho que a 'Bogus Operandi'. Essa é uma das minhas preferidas. Também gosto da 'Rigor Mortis Radio' e da 'Trapdoor Solution', que é uma muito rápida. 

E qual é a música que gostas mais de tocar ao vivo?

Gosto sempre de tocar a 'Main Offender' [do disco "Veni Vidi Vicious"]. É uma canção mais antiga, mas adoro tocá-la. Também gosto da 'See Through Head'. Com essas duas sinto mesmo que estou a entrar no espírito da coisa. 

E ainda em relação ao novo álbum, qual é que tem sido o feedback das pessoas que estão mais próximas, dos jornalistas?  
 
Os nossos amigos adoram as novas canções. (risos) E há jornalistas a dizer que é o nosso melhor disco. Só lhes posso agradecer. Acho que temos alguns bons discos, mas é muito bom quando nos dizem que o disco que acabámos de fazer é o nosso melhor álbum, sobretudo após de termos estado 11 anos sem lançar música nova. 

Depois desse hiato, sentem que, de alguma forma, tiveram de gerir as expectativas dos vossos fãs ou tinham o mindset mais descontraído, de se divertirem apenas?

Para nós, fazer um disco implica sempre muito trabalho. Não é só diversão. Grande parte do tempo é trabalho. Temos sempre a fasquia alta. Os novos discos têm de, pelo menos, estar à altura dos anteriores. Quando fazemos discos com este tipo de mindset as pessoas gostam. Só fazemos discos que gostamos. 

E o que é que os fãs podem esperar do vosso concerto no MEO Kalorama?

Nada menos do que o melhor. Podem esperar autênticos peritos em matéria de punk rock ou rock n' roll. Devem ir vestidos com a melhor roupa que tiverem para o mosh pit

 


O cartaz do MEO Kalorama é este:

QUINTA-FEIRA, 31 AGOSTO
Blur 
The Prodigy  
Yeah Yeah Yeahs 
The Blaze 
M83 
Metronomy 
Amyl & The Sniffers 
BK’ 
Joesef 
José González interpreta o álbum de 2003 "Veneer" 
Shame 
Pongo 
Rita Vian 
Scúru Fitchádu 
Tulipa Ruiz 
Rato-chinês 

PANORAMA:
Ben UFO 
Call Super b2b ANZ 
Chima Isaaro 
Gazzi 
Peach


SEXTA-FEIRA, 1 SETEMBRO
Florence + The Machine 
Aphex Twin 
Arca 
Belle & Sebastian 
FKJ
Baxter Dury 
Capitão Fausto 
Ethel Cain 
Shygirl 
Tamino 
EU.CLIDES 
James Holden 
Holy Nothing 
Silk Nobre 
Gui Aly   

PANORAMA: 
John Talabot 
Moxie 
Nicolas Lutz 
Phoebe 
Violet

SÁBADO, 2 SETEMBRO
Arcada Fire  
Foals 
The Hives 
Siouxsie 
Pabllo Vittar 
Dino D'Santiago 
Sen Senra 
Nu Genea 
Young Fathers  
Charlie Cunningham 
CMAT 
Junior Boys 
Selma Uamusse  
Hause Plants 
Snake GR 
Necxo 

PANORAMA: 
BUDINO 
Dinamarca 
Lil Silva 
Saint Caboclo
Tiga 
Tijana T