Ainda não tem a nossa APP? Pode fazer o download aqui.

Branko sobre o novo álbum: "é uma soma de pessoas e isso representa o início de um novo ciclo"

Conversámos com o DJ e produtor sobre "SOMA", o novo disco. A primeira data de apresentação do novo registo é a 24 de março, no Sónar Lisboa.

Branko sobre o novo álbum: "é uma soma de pessoas e isso representa o início de um novo ciclo"
PEDROMKK

O DJ e produtor Branko voltou aos álbuns com "SOMA", o quarto disco da discografia que João Barbosa edita em nome próprio. 

A proposta de "SOMA", editado a 15 de março, foi adicionar diferentes energias e diversos toques humanos ao som do produtor que, no mapa da busca criativa para este trabalho, somou à cidade de Lisboa outros lugares, como São Paulo, Rio de Janeiro e Londres.

Teresa Salgueiro, Jay Prince, Tuyo, Yeri & Yeni, Carlão, Dino D'Santiago, June Freedom Gafacci, Bryte, BIAB ou Carla Prata estão na ficha técnica do novo trabalho, mas na conta de somar ainda temos de acrescentar os músicos que se reuniram à volta da liberdade criativa em jam sessions que aconteceram nos estúdios Namouche, em Lisboa, ao longo de três dias. João Gomes, Ivo Costa, Francisco Rebelo, Djodje Almeida, Jorge Almeida, Iúri Oliveira, Jéssica Pina ou Diogo Duque são apenas alguns dos nomes que figuram na extensa lista de talentos. Aliás, as pessoas envolvidas na criação do álbum foram tantas, que num dos temas - na faixa 'Mood 111' - o produtor português creditou 12 autores na composição. 

Os vários instrumentistas convidados, todos eles ligados ao som de Lisboa, fluíram artisticamente em cima das maquetes que Branko tinha criado durante as férias, transformando as sessões num espaço de criação que, depois de arrumado pelo produtor, tornar-se-ia num álbum de 12 canções. 

"SOMA" foi apresentado no passado fim de semana na experiência SOMA House, um evento gratuito que teve lugar na Antù, em Alfama. O álbum foi acolhido na Casa Soma, ao longo de três dias, numa experiência que teve talks, dj-sets e até gastronomia. A curadoria também foi de Branko. 

O álbum já respira nas várias plataformas digitais e em breve vai respirar ao vivo. A 24 de março, Branko apresenta o novo trabalho no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, no âmbito do festival Sónar Lisboa. Seguem-se espetáculos no Phonox, em Londres, Inglaterra (a 6 de abril), na Casa das Artes, em Vila Nova de Famalicão (a 11 de maio), no espaço Ti Milha, em Pombal (a 19 de julho) e no festival Vodafone Paredes de Coura (a 16 de agosto).


Tens dito em algumas entrevistas que "SOMA" chega para dar início a um novo ciclo? Em que sentido?

Não sei bem porquê mas tenho organizado a vida em ciclos de dez anos. (risos) Sem me esforçar muito, tem acontecido assim. A 'Time Out', que foi a primeira música que lancei enquanto Branko e que teve a voz de Orlando Santos, saiu em 2013. Daí ao lançamento do primeiro álbum ["Atlas"], em 2015, foi um passinho relativamente rápido. Foi muito interessante fazer esse disco, mas, como nessa altura os Buraka Som Sistema ainda estavam em pleno funcionamento, inclusivamente na estrada, funcionou apenas como um exercício paralelo. Tinha consciência que estava a começar um trajeto mas naquela altura não achei que fosse o trajeto principal da minha vida. Só depois do [álbum] "Nosso" é que comecei a criar a minha própria identidade, a perceber onde é que me insiro, enquanto artista, no meio de todos os projetos. Desde essa altura até agora, tenho estado a tentar perceber o que é que sobra do artista Branko no meio de todas as produções que fiz para outras pessoas, do tempo que passei nos Buraka Som Sistema e do trabalho de gestão de outros artistas que faço na editora [Enchufada]. Talvez este seja o momento certo para agarrar nestes 20 anos e colocar tudo no mesmo bolo de aniversário. Vou soprar todas as velas ao mesmo tempo.


Em novembro, fiz um DJ set de três horas -  ao qual dei o nome "Branko 180 minutos" - precisamente para poder tocar tudo o que vinha desde 2003, 2004 até ao material que ainda tinha para lançar no futuro. Toquei algumas coisas do "SOMA". Acho que nesse set senti mesmo que estava a completar um ciclo. Acho também que o "SOMA" foi buscar projetos meus mais antigos, como é o caso do One Week Project. Fui buscar a relação com os músicos da cidade de Lisboa, o lado mais orgânico das guitarras, das teclas e das percussões. Senti necessidade de ter essa polaridade em palco. Ao ir buscar mais pessoas para o projeto, tornei o meu beat mais humano. O "SOMA" é uma soma de pessoas e isso representa o início de um novo ciclo. É uma renovação que não se reflete apenas no disco mas também ao vivo. Vou convidar alguns músicos para se juntarem a mim no palco. É quase como se deixasse de ser o "para sempre DJ Branko" para ser oficialmente o artista Branko. 

Mas há uma linha artística que une tudo...
Sim, há. Sem dúvida. Quando falo dos 20 anos, vou primeiro aos One Week Project, o projeto no qual eu produzia os beats e o Kalaf fazia a parte de spoken word. Gravámos um disco numa semana. Era, pelo menos, esse o desafio. Meto o primeiro pin nesse projeto porque seria o primeiro álbum com editora, com trabalho junto da imprensa, com concertos. A seguir a isso, em 2006, começaram os Buraka Som Sistema. Parámos em 2016 e comecei a desenvolver o trabalho como Branko. Consigo olhar para trás e perceber que, apesar de os formatos serem diferentes, houve sempre uma linha de pensamento muito próxima e similar nisto tudo. Tem sido sempre a celebração da cidade de Lisboa e das pessoas com quem cresci, que estavam à minha volta. A celebração dos músicos com quem me fui desenvolvendo artisticamente, dos DJs, dos melómanos. No fundo, tem sido a celebração da comunidade que cresceu, isolada, em Lisboa, uma cidade que está a três dias de carro do centro da Europa. O fio condutor é contar a história dessa comunidade. Conta a história desta comunidade, plantada na esquina mais ocidental da Europa. 

E tu tens um papel fundamental na evolução dessa comunidade. Como é que olhas para essa evolução, para o teu papel nesse crescimento, para as mudanças na cidade de Lisboa e para a forma como a cultura reflete essas mudanças?
Essa era uma das missões. Dava para sentir à nossa volta, mas ainda não estava refletido culturalmente. Havia bandas, como é o caso dos Da Weasel, e havia outros projetos que eram o início de algo, mas faltava pressionar o dedo na ferida. Faltava fazê-lo de uma forma mais direta, sem depender de conceitos abstratos. Quase como se fosse marketing. Quando se autointitula uma coisa, essa coisa passa ainda mais a ser essa coisa. Os Buraka Som Sistema eram um pouco a face de tudo isso.


O propósito sempre foi o de celebrar Lisboa enquanto um epicentro de todos os países do mundo onde se fala português. Celebrar as pessoas que se reúnem na cidade para criar música em conjunto. Para o "SOMA" reuni na mesma sala um português, um angolano, um cabo-verdiano, um português do Norte. Sabia que com esta mistura ia sair daqui algo um pouco diferente. Algo que fosse influenciado pelo dia a dia de todas estas pessoas. Acho que o meu trabalho tem sido o de apontar a possibilidade de vários caminhos. Talvez até em relação ao lado mais internacional. Mantive sempre esse foco. Criar localmente para um público global é o que me permite fazer a música que quero sem ter de assumir muitos compromissos comerciais. E daqui podem surgir outros artistas que queiram perceber a fórmula e aplicá-la a si próprios. Podem partir daqui para desenvolver o próprio caminho. É importante que esses artistas saibam que podem crescer e que podem ter um trabalho absolutamente sustentável. Podem desenvolver as suas vidas com base na música. O mais importante é saber o que queremos. Importa saber para onde queremos ir e pensar um pouco nas coisas.

Mas qual é que foi o ponto de partida, o início de tudo?
Foi quando liguei ao João Gomes, um amigo meu que também é um teclista incrível. Admiro-o desde o tempo dos Cool Hipnoise. Hoje em dia está mais ativo nos Fogo Fogo mas também já teve os Space Boys e outros projetos autorais incríveis. É uma pessoa com que já trabalhei muitas vezes e na qual me revejo bastante em relação à forma como aborda a música. Liguei-lhe a dizer que gostava muito de fazer algumas jam sessions em que os músicos pudessem tocar em cima dos beats que criei. Criei uma série de beats enquanto estava de férias. A ideia nunca foi a de construir as canções na sala. O que fiz foi soltar o beat para que os músicos pudessem tocar por cima. Aquelas sessões não serviam para arrumar nada. Nem sequer tinham de soar bem em conjunto. Arrumei tudo em casa, quando agarrei o que recolhi individualmente. Acabou por se tornar numa jam session de três dias, com músicos diferentes em cada um dos dias. Sai do estúdio com uma série de gigabytes cheios de informação musical incrível. Reuni som com características incríveis de músicos que, a meu ver, são dos mais importantes que a cidade tem. 

Qual é que foi o critério na escolha?
Tentámos ir buscar pessoas que se complementassem, que tivessem uma linguagem interessante. Alguns desses músicos tocam com outros artistas e nem sempre têm a possibilidade de serem eles os criativos. Acho que a ideia era também tentar captar o subconsciente. Se existe algo a que podemos chamar de "som de Lisboa", a base da arquitetura desse som é feita com os dedos, com a cabeça e com os movimentos dos músicos quando tocam, seja na percussão ou na guitarra. Quando juntas pessoas como o Jorge Almeida, o Iúri Oliveira, a Jéssica Pina ou o Diogo Duque, que se movimentam da música afro ao jazz, acabas por ter uma mistura que, embora pareça incontrolável, tem um fio condutor. Tens noção disso quando estás na sala a ouvi-los. Nota-se que estão a perguntar e a responder musicalmente uns aos outros. Além de que estamos a falar de pessoas que já se teriam cruzado artisticamente de uma forma ou de outra.

E nesse processo descobriste ou redescobriste algo que tenha sido somado à tua criação?
Não sei se foi propriamente uma descoberta ou redescoberta. Mas acabei por usar muito a ideia de humanizar o beat neste processo. Depois das jam sessions de três dias é fácil perceber que, quando levei tudo para casa, passei umas belas semanas a identificar tudo o que poderia fazer sentido, para passar do formato improvisado para as estruturas de canções. Talvez tenha redescoberto algo que colocava mais em prática quando estava próximo de tudo o que tinha a ver com instrumentos tocados. É música para dançar, mas não no sentido de ter tudo a bater certo no ritmo, de ter aquele 4/4, como acontecia mais no tempo dos Buraka Som Sistema ou de algumas coisas que fiz depois. No processo criativo do "SOMA" andei com os meus sons de produção atrás das notas e, por vezes, como eram tocadas ao vivo, andei atrás do atraso dessas notas. A forma como um músico sente o groove pode ser com algumas notas fora do sítio. Com uma duas notas mais atrasadas ou mais adiantadas. Andei com o meu beat a tentar apanhar as ideias que os músicos estavam a seguir. Redescobri um pouco a beleza dessa desarrumação não quantizada da música.        

E depois foste atrás das vozes, desde nomes mais estabelecidos a nomes emergentes. Também foste a cidades como Londres, Rio de Janeiro e São Paulo. Como é que foi esse processo de "recrutamento"?     
Nunca parto da ideia de juntar pessoas mais rodadas a pessoas menos rodadas. A música é sempre a motivação principal. É a música que me leva a entrar em contacto com determinadas pessoas e, às vezes, a impor-me no caminho dessas pessoas quando envio de mensagens chatas no Instagram. (risos) Faço-o porque é aquela voz em particular que imagino em determinado sítio. Acontece o mesmo quando estou a passar música como DJ, quando imagino que a música (a) vai ficar bem com a música (b). É a mesma coisa. Imagino que aquele instrumental vai ficar bem com aquela voz. A minha busca passa muito por aí. Dentro desse universo de busca interminável tenho as balizas do conceito ou do disco que tenho nas mãos.


No caso do "SOMA", contrariamente a outros projetos, quis também ir buscar pessoas que, apesar de estarem fora do país, entendessem a cidade de Lisboa. Foi por isso que me fez sentido convidar a Carla Prata, que, embora tenha origem angolana e tenha passado muito tempo em Lisboa, está a viver, a trabalhar e a construir a carreira a partir de Inglaterra. Há ainda o caso do June Freedom que tem origem cabo-verdiana, mas está a fazer o seu trajeto em Los Angeles, nos Estados Unidos. Quis conectar-me com pessoas que conseguissem entender os instrumentais. As pessoas que estão mais próximas de mim, como o Dino, entendem, mas queria que as mais longínquas também percebessem. O caminho foi andar atrás dos artistas que tivessem noção da linguagem de Lisboa.

E como é que esses artistas reagiram ao convite? 

Foi tudo muito orgânico. Posso dar um exemplo. Já era fã dos Tuyo, os meus convidados brasileiros, há muito tempo. É um grupo composto por duas irmãs e um amigo e entretanto descobri que o rapaz do grupo [Jean Machado] já seguia o meu trabalho há algum tempo. Quando soube disso senti que havia um caminho para iniciar uma conversa. Dá logo para perceber se a coisa vai ou não resultar. Se existir uma predisposição que faça com que as pessoas falem contigo de uma forma mais aberta, é mais fácil que aconteça. Se começar a ser complicado, dificilmente a coisa resulta. Não há propriamente um plano. Vou sempre tentando que as coisas encaixem e que se complementem.   


O Dino D'Santiago, que colabora na faixa 'Mood 111', escreveu o seguinte no Instagram: "no dia em que entrámos em estúdio para gravar e assim juntar-me a ti e ao June Freedom, no final da sessão, olhámos para as horas e o relógio marcava 01h11. Decidimos pesquisar a numerologia e decidimos que aquele feliz resultado tornar-se-ia o mood para 2024. Avizinham-se tempos difíceis, mas 'SOMA' é o combustível que precisava para voltar a esperançar. Afinal de contas a Cultura continua a ser a chave para a Liberdade. Que mood é esse?

O Dino tem uma capacidade incrível de colocar em palavras este tipo de momentos. Acima de tudo, fico muito grato por poder partilhar o trajeto com ele e por, de alguma forma, contribuir para a pessoa e para o artista que ele é. O número 111 está associado a um mood de renovação, de novo começo. É uma canção de superação. É sobre a ideia de largarmos tudo para seguirmos num caminho que seja mais nosso. É também sobre a capacidade de confiarmos mais em nós e de percebermos que não precisamos de muita gente à nossa volta, a não ser das pessoas que já lá estão e de quem gostamos. Pessoas que nos têm ajudado no trajeto. Quando estávamos a escrever o tema, fiz um grupo no Whatsapp, onde estava eu, o Dino e o Kalaf. O grupo, que se chamava "Resolver 2024", servia para falarmos das coisas que realmente importam, neste caso das canções.

 
É o que importa independentemente do quão paradoxais as coisas estejam nesta altura. A cultura está a florescer de uma forma incrível. Mais do que nunca, estamos a abraçar a ideia de Lisboa ser um ponto de conexão da Língua Portuguesa, algo que deve ser celebrado e valorizado. E isso é paradoxal com aquilo que está a acontecer na esfera política e com o que se sente que pode ser uma espécie de mudança identitária do país. Metendo o foco na música e continuando a celebrar esta postura, que sempre foi a nossa, acho que podemos virar para o lado certo. É uma forma de promover a esperança.

A celebração da multiculturalidade para dar força à união e enfraquecer a divisão... 
Sim, sim. Desde os nomes das canções ao título do álbum, passando pelos projetos aos quais estamos ligados, tudo grita a celebração da diversidade. Celebração da diversidade da nova Lisboa

Voltando ao elenco de convidados, também convidaste a Teresa Salgueiro (ex-Madredeus)... 
Sou super fã. Fiquei muito feliz quando ela aceitou o convite. Basta ouvir a textura do timbre da voz da Teresa durante dois segundos para sabermos imediatamente quem é que está a cantar e o que é que a voz que estamos a ouvir representa. Acho muito interessante ter duas identidades da música de Lisboa no disco. Ter o lado que celebra o que é mais tradicional, embora em constante movimento, e a identidade daquele que tem sido o meu trabalho. 


Apresentaste o "SOMA" com a Experiência SOMA House que teve conversas sobre o processo criativo, música e até comida. Como é que foi a experiência?

Fiquei muito surpreendido com as três sessões de conversa que fizemos sobre o álbum. A SOMA House aconteceu no fim de semana logo a seguir à edição do disco. As pessoas foram para as conversas com uma noção do álbum mas ainda estavam muito focadas em ouvi-lo, a descodificá-lo. Acho que essas conversas acabaram por dar mais contexto às pessoas sobre o álbum. Achei isso incrível. Foi, de longe, a melhor forma que arranjei para lançar um disco. Foram três dias intensos mas muito produtivos.

No tema 'Soma' colocaste algumas palavras de José Saramago. Num desses samples que usaste, ouvimo-lo a falar da "comunhão íntima entre o ator, o texto e o espectador". Qual foi a razão da escolha deste excerto? Tem alguma coisa a ver com a tua forma de criar?
Tem, sim. A frase, que acabei por dividir em duas partes, é de uma entrevista em que o José Saramago está a falar de livros. O que ele está a dizer é que os livros só são livros quando são lidos. Até serem lidos são apenas montes de palavras. São projetos de livros. Só começam a fazer sentido quando chegam às mãos do público. Acho que essa visão relaciona-se bastante com o meu processo criativo e talvez até com o facto de continuar a surpreender-me quando crio e partilho. 


Nunca sabemos qual será o resultado até mostrar [o nosso trabalho] a uma audiência, seja com a Soma House, com as diferentes camadas do álbum ou com a reinvenção dos concertos. Tudo isto ganha sentido quando é partilhado com público. Faz sentido quando as pessoas se emocionam com a nossa música e a levam para dentro das suas vidas. 

E "SOMA" ao vivo, como vai ser? O que é que já podes contar?
O concerto que estou a preparar partiu de uma perspetiva diferente. A base do meu trabalho tem sido o deejaying, mas agora vou passar a ter dois músicos comigo, a Ola Mekelburg nas teclas e na voz e o Danilo Lopes na guitarra e na voz. Vai ser um formato de concerto mais orgânico. É o que faz mais sentido nesta fase. Não só porque o novo disco é mais orgânico, mas também porque sinto que as músicas dos quatro álbuns que estão para trás podem ganhar com esta nova perspetiva. Quero aproximá-las do espírito do "SOMA". Vai ser tudo diferente, até no que toca à luz e ao vídeo.